Pop-punk tem tudo para ser próxima tendência vintage da música

Willow Smith é uma das expoentes do pop-punk (foto: Divulgação)
Willow Smith é uma das expoentes do pop-punk (foto: Divulgação)
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O mundo da música, especialmente no recorte pop mainstream, vive de tendências, ressurreições, altos e baixos, entre outros adjetivos que podem ser colocados. De tempos em tempos, gêneros e subgêneros são incorporados à cultura pop e isso determina muito do que será feito por um ou dois anos na música. Atualmente, não é tão complicado viver no underground se isso ainda render alguns milhões de views e reproduções em plataformas de streaming, mesmo que em nível muito menor que quem está no holofote.

A questão são os sinais que são dados dos caminhos que a música pop vai trilhar e nem sempre nos atentamos. A tendência atual é um retorno à era Disco, mas que foi sendo reaquecida aos poucos, por diversos artistas, ao longo da última década. Em 2013, vários dos hits do ano tiveram influência do gênero e mostraram sua força, principalmente em um momento em que os maiores artistas do pop experimentaram diversos gêneros para, talvez, conseguir uma resposta do público.

Ao longo dos anos, diversas doses de Disco e Funk foram sendo aplicadas, até que chegamos em 2019 e Dua Lipa começa os trabalhos de seu segundo álbum com um single nu-disco. As portas se abriram e foi presenciada uma overdose de músicas influenciadas pelo gênero, com diversos artistas fora da bolha alcançando o topo dos charts. Essas doses, meio que imperceptíveis, entre 2013 e 2019 foram o suficiente para que ninguém estranhasse músicas do estilo.

É exatamente por isso que o pop-punk tem tudo para retornar como essa nova tendência nostálgica. Popularizada em meados dos anos 2000, em meio a artistas pop especializados em performances, o gênero basicamente serviu como um tipo de contracultura, basicamente um dos princípios do rock, uma de suas âncoras. Avril Lavigne foi um modelo novo para diversas meninas e mulheres que, provavelmente, não se enxergavam tão virginais ou tão sensuais como a maioria das cantoras pop da época, além de estabelecer uma relação entre o pop e o rock muito harmoniosa.

Essa harmonia durou bons anos, ao mesmo tempo em que o pop e o R&B também mantinham o mesmo tipo de relação, sendo interrompidas à medida que artistas como Lady Gaga e Katy Perry ampliaram suas conquistas. Foi um caminho natural que levou o pop a abraçar a dance music, mas que deixou de lado todas os outros intercâmbios culturais. Mais natural ainda foi a necessidade de incorporar novamente alguns daqueles gêneros para deixar o interesse na música pop em alta, mas que até então ficaram restritos ao rap, R&B, disco, etc.

Realmente, só faltava o pop-punk voltar à ativa. Os ciclos são, basicamente, viciosos na indústria musical. Se essa influência do pop-punk durante os anos 2000 iria chegar mais longe, só poderia ser agora, quase 20 anos depois, em que grande parte das crianças e adolescentes daquela época eventualmente se inspiram artisticamente por essa vertente, caso tenham enveredado pelo caminho das artes. Machine Gun Kelly já tinha certa notoriedade como rapper, mas ao transitar para o pop-punk em seu último trabalho, lançado em 2020, saiu de um rapper branco para alguém com maiores pretensões artísticas.

O rapper convidou Travis Barker, baterista da banda Blink-182, para escrever e produzir o álbum e rendeu o terceiro top 20 da carreira de MGK na parada americana. Travis também participa do último lançamento de Willow Smith, Transparent Soul, mais uma investida pop-punk que marca o retorno da cantora à Billboard Hot 100 depois de 10 anos. Depois de Good 4 U, de Olivia Rodrigo, alcançar o topo dos charts mundo afora, só nos resta esperar que esse resultado seja tratado como um trampolim para o gênero. Fiquem de olho!

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop semanalmente. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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