Batidão Tropical é mais um case de sucesso da artista mais original do Brasil

Batidão Tropical é o mais novo trabalho de Pabllo Vittar (foto: Divulgação)
Batidão Tropical é o mais novo trabalho de Pabllo Vittar (foto: Divulgação)
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Durante a última década, o Brasil viu surgir diversos ícones pop nacionais e percebeu uma certa movimentação dos artistas que se tornaram muito grandes no mercado brasileiro e passaram a trabalhar gradualmente para um público internacional. Isso abriu certas portas e fez surgir ainda mais nomes fortes, tornando o pop brasileiro mais amplo e com diversas frentes. Essa sensação de um cenário pop mais abrangente, mesmo que coloque os artistas em certas caixinhas, dá certo frescor para o público.

Quando cito caixinhas, é porque, de certa forma, a expectativa do público determina a recepção dos lançamentos musicais, o que invariavelmente influencia no trabalho dos cantores, que podem escolher um caminho mais óbvio ou o mais arriscado, escolhas que podem dar muito certo como podem dar muito errado. Mas quando o trabalho surpreende, as reações, mesmo as contrárias, sempre garantem uma visibilidade gigante.

Batidão Tropical surpreendeu todo mundo, talvez porque ninguém esperava um trabalho com três músicas inéditas, o que poderia ser extremamente desanimador, não fosse o brilhante trabalho de reinterpretar músicas de sucesso de bandas paraenses que tiveram um momento de brilho nos anos 2000, criando uma legião de fãs. Atualmente, é óbvio que grande parte do público LGBT abraçava e continua abraçando muitas das divas paraenses, como Joelma. Nem era surpresa que o brega paraense e o tecnobrega sempre influenciaram o trabalho de Pabllo.

A surpresa é que a releitura da drag queen é uma tática excepcional, porque remete à prática do gênero, regravando diversas músicas de bandas mais restritas ao público paraense, além de deixar cravado que essas músicas construíram a persona artística de Pabllo e servem de background para o ícone LGBT que vimos nascer em escala mundial. São referências que aumentam exponencialmente o valor da marca Pabllo Vittar dentro do Brasil e podem servir para apresentar suas raízes para quem é de fora e já a acompanha, antes de passos maiores internacionalmente.

A mistura de calypso, tecnobrega e synthpop feitas em Batidão Tropical em grande parte das músicas tornou tudo encantador, alucinante e extremamente original, o que é o mais controverso, porque a Gen Z poderia jurar que Pabllo deu várias canetadas escrevendo tantos hits. Particularmente, me senti com 10 anos de idade novamente, em que o DVD da Companhia do Calypso gravado aqui em Goiânia era uma febre nas lojas, nas ruas, nos camelôs e na TV, de forma que a gente se sentisse parte viva do projeto, simplesmente pela cidade ter sido escolhida para a gravação, meio que colocando o nome da capital em um radar musical que poderia ser mais diverso que o do sertanejo.

Assim como o texto que abriu essa coluna, é preciso verbalizar mais uma vez que Pabllo serviu com Batidão Tropical, continua servindo e vai servir por muito tempo, porque esse é seu ofício e jamais faria sentido que a artista mais original e versátil do Brasil entregasse os pontos agora. Vamos contar uns 10 anos para que isso aconteça e olhe lá. Enquanto isso, a gente baba.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop semanalmente. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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