O lado selvagem de Normani é mais uma prova de fogo para sua carreira

Normani é uma das artistas de maior destaque na atualidade (foto: Reprodução)
Normani é uma das artistas de maior destaque na atualidade (foto: Reprodução)
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Normani é uma das artistas emergentes que mais causam comoção na internet e na indústria em geral, atualmente. A empolgação do público não é à toa, pois a cantora entrega aquilo que os fãs de música pop esperam: muita dança, carisma e músicas cheias de referências e inspiradas por todas as cantoras que a acompanharam durante a infância e adolescência.

O fato é que até agora não existe um projeto de estreia que foi entregue ao público. Motivation parecia o start de um álbum e, pelo visto, nem tem grandes chances de continuar no corte final do disco. A própria Normani disse que a música foi lançada para que a performance no VMA em 2019 fosse possível, o que explica o pouco investimento por parte da gravadora em distribuir a música em rádios e playlists em plataformas de streaming.

Com Wild Side, a sensação é que Normani sempre vai ter que fazer lançamentos que causem certo impacto, se especializando no que artistas já consolidados fazem ao investir em grandes retornos, os famosos comebacks tão aguardados. Mas o curioso é que ela se especializa nisso sem ao menos lançar o primeiro CD, o que deixa uma impressão de que a sina de artistas pretas continua a mesma, sempre precisando se esforçar e entregar trabalhos acima da média e com a capacidade de atingir o grande público de cara.

No momento em que escrevo esse texto, a música tem maior impacto no YouTube, justamente pelo conteúdo focado em takes cheios de efeitos e uma coreografia pesada que desafia qualquer tiktoker a tentar reproduzir, provavelmente sem sucesso, principalmente porque não foi feita necessariamente para ser reproduzida, mas para instigar as pessoas, como no caso de Single Ladies, mesmo que essa tivesse uma sonoridade muito mais popular e familiar para o público da época.

Se falamos em sonoridade, é impossível não citar a controvérsia sobre o que seria um sample de One In A Million, de Aaliyah, saudosa cantora de R&B de sucesso e inspiração de nove entre 10 de artistas como Normani e Tinashe. O beat de Wild Side é muito similar e, se não é um sample, é uma homenagem clara à artista que morreu em 2001. Tudo que Normani tem apresentado envolve suas inspirações e o que a motiva a ser artista, passando pelos momentos icônicos de Beyoncé e J-Lo até à sonoridade mais progressiva e a performance agressiva de Janet Jackson.

A boa notícia é que, finalmente, o álbum de estreia deve ser lançado. A estratégia envolve lançar mais alguns singles nos próximos meses, provavelmente alguns com sonoridade mais popular também e ir testando a recepção do público. Talvez Wild Side seja o primeiro passo para reaquecer os trabalhos, posicionar a artista com as rádios com um som mais familiar para artistas pretos e que pode ter uma recepção melhor nesse tipo de mídia, mesmo que reforce um certo estereótipo da indústria. Então, fiquem atentos aos próximos sinais do lado selvagem de Normani.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop semanalmente. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

Leia mais