O amanhecer de Chromatica reflete a visão artística de Lady Gaga

Chromatica marcou a volta de Lady Gaga ao pop (foto: Divulgação)
Chromatica marcou a volta de Lady Gaga ao pop (foto: Divulgação)
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Mais de um ano após o lançamento de seu sexto álbum, Lady Gaga anunciou o lançamento da versão remixada de Chromatica, com a participação ilustre de diversos artistas atuais, como Charli XCX, Arca, Mura Masa, Pabllo Vittar, Rina Sawayama, entre outros. A prática de lançar o remix de seus álbuns aconteceu duas vezes, em seus dois álbuns mais icônicos, The Fame e Born This Way. Pareceu estar nos planos o lançamento remixado de Artpop, o que deve ter ficado de lado após as polêmicas que envolveram a era.

Polêmica, por si só, nunca pareceu ser um grande problema para Gaga, desde que isso tivesse seu controle. Durante a era Artpop, a pressão por números e as controversas escolhas de singles e participações criaram um terrorismo sobre sua carreira que a impulsionou a demonstrar sua multiplicidade de talento através da atuação e do canto de outros gêneros que a colocaram em um novo patamar.

Todos sabemos o ícone que Gaga se tornou e em um espaço de tempo relativamente curto, muito por sua ousadia e criatividade, inspiradas por outros artistas que pavimentaram o caminho para o pop se tornar uma instituição sólida e livre para os artistas. Fazer novas escolhas para ampliar seu público e apresentar sua capacidade como artista múltipla foi algo que parecia mais uma válvula de escape do que exatamente uma liberdade criativa, o que com o tempo se mostrou um argumento frágil.

Se hoje a carreira de Lady Gaga não se resume exatamente aos números que alcança e sim pelo conteúdo, é simplesmente porque ela estabeleceu o padrão pelo qual queria ser vista em cada momento. Assim como ela estabeleceu um padrão alto para artistas novatos, mesmo hoje em dia, ao alcançar um estrelato relâmpago e com um material muito maduro e comercial ao mesmo tempo, como se não fosse preciso lançar músicas tão clichê para começar ou continuar a ter uma carreira, mesmo que aliadas a estratégias que iam das tradicionais às não convencionais.

O lançamento de álbuns remix é mais do que uma estratégia, é um diálogo profundo com o público interno e externo de música, se comunicando diretamente com as pistas de dança, por mais que o alcance pareça limitado. Agora que alguns países retornam às suas atividades culturais, incluindo festas, é a hora certa de se comunicar com os DJs e reativar sua ligação histórica com a música eletrônica e seus amantes. Isso alimenta seu trabalho como artista, sua comunicação com os fãs e, principalmente, com o ambiente em que sua música mais se encaixa desde o início da carreira, que são as boates e casas de festa.

Além disso, se dermos a devida atenção, principalmente ao remix de Born This Way, participar de um álbum remix de Lady Gaga é um presságio do que sua carreira pode se tornar. Zedd e The Weeknd se tornaram fortes nomes da música logo após colaborarem com seus remixes e indicam como Gaga é antenada em todas as tendências, principalmente as que seu público se interessa. Mesmo que os fãs imaginassem alguns outros artistas envolvidos em Dawn of Chromatica, os nomes que ali contém fazem parte de um universo muito ligado ao que eles mesmos costumam se atentar.

Essa indicação de tendências é algo que somente artistas com um feeling tão forte como ela são capazes de fazer, sabendo que apenas o talento dos artistas convidados vai poder alçá-los a voos mais altos e que essas colaborações só corroboram com isso. Os olhos e ouvidos de Gaga sempre estão em alerta para o que acrescenta ao seu trabalho, mesmo nos momentos mais inóspitos.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop semanalmente. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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