Happier Than Ever: Uma Carta de Amor Para Los Angeles

Billie Eilish brilha em lançamento da Disney, mas não como se esperava

Happier Than Ever: Uma Carta de Amor Para Los Angeles (foto: Divulgação/Disney)
Happier Than Ever: Uma Carta de Amor Para Los Angeles (foto: Divulgação/Disney)
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Happier Than Ever: Uma Carta de Amor Para Los Angeles não é uma carta de amor e não é bem para Los Angeles, mas isso não tira o brilho do recente lançamento do Disney+. Billie Eilish brilha “sozinha” em pleno Hollywood Bowl cantando as canções do seu novo álbum Happier Than Ever em sequência, só que em uma experiência completamente nova, embora limitada pelo modus operandi do serviço de streaming do rato.

Eilish é extremamente talentosa. Uma Carta de Amor Para Los Angeles só mostra ao mundo o que esperar de uma experiência de assistir a cantora ao vivo. Embora conhecida pelas suas performances ousadas, como nos shows da tour do álbum WHERE WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, onde cantar bury a friend sobre uma cama suspensa no Coachella se tornou normal, o filme-concerto quer ser um pouco mais nos trilhos e mostrar uma cantora mais comportada, embora isso não signifique que ela tenha sido amarrada ao pé da tal cama, se é que me entende. No entanto, há sim fortes limitações impostas pela plataforma, como a proibição total de palavrões. Isso tira um pouco da força da canção-título Happier Than Ever, por exemplo, mas… o Disney+ é um serviço ‘de família’.

Robert Rodriguez entrega uma direção excelente, principalmente na maneira como torna as luzes e cores condizentes com o que estamos vendo. O filme transita entre Billie no anfiteatro e uma animação que se une ao concerto mostrando visuais de Los Angeles que mais parece transportada diretamente de um jogo de PlayStation 2.

Lembremos que estamos no território da Disney aqui. Porém, o que rouba a cena mesmo é o cenário. O Hollywood Bowl se adapta completamente a Billie Eilish, entregando uma experiência visual no palco do jeito que deve ser, sem excessos de efeitos especiais; o local e a protagonista é que se destacam. Para cada canção, há uma configuração de iluminação e câmeras diferente, entregando uma experiência da canção em si, e não de um álbum.

Falando um pouco sobre as canções, várias delas são acompanhadas de convidados especiais que trazem abordagens alternativas à mente de Eilish. Finneas já aparece nos minutos iniciais acompanhando Getting Older, mas marca mesmo durante a profunda Your Power, junto com Billie nos fundos da plateia de um Hollywood Bowl apagado.

Billie Eilish e o Coral Infantil de Los Angeles, durante a gravação de Goldwing (foto: Divulgação/Disney)

O guitarrista brasileiro Romero Lubambo torna-se o centro das atenções tocando Billie Bossa Nova, a terceira canção do álbum, junto da Orquestra Filarmônica de Los Angeles, regida pelo maestro Gustavo Dudamel.

Oxytocin já começa a trazer um pouco da ousadia ao palco, que se transforma com as piscantes luzes vermelhas na batida e sua letra ambiciosa que acabou sendo uma das exceções à regra da Disney que não teve trechos “censurados” dado o contexto adulto da música. E digo mais: a canção é repetida nos créditos finais do filme, numa manobra ousada.

O Coral Infantil de Los Angeles, onde Billie cantou, traz uma versão absurda de Goldwing, enquanto NDA mostra o questionamento de Eilish sobre a complicada vida de uma figura pública com baixo orçamento, usando luzes piscantes na plateia vazia e efeitos de luz para assimilar o ambiente a flashes constantes de câmeras tirando fotos, reproduzindo o sufoco causado pela pressão de ter que manter relacionamentos escondidos.

Ao final da música, a transição para Therefore I Am cai muito bem musicalmente mas não tão bem visualmente, já que a Filarmônica de Los Angeles acaba voltando de uma forma abrupta na tela para um questionamento em cima do eletrônico da música, trocando-o por uma grande e desafiadora versão orquestrada.

Ouvindo os detalhes da poderosa versão rearranjada de maneira primorosa, senti algo meio Tom e Jerry no Hollywood Bowl, esperando que em algum momento houvesse alguma “sabotagem” causada pela mistura de estilos, dessa vez no bom sentido da palavra. O famoso episódio de 1950 do clássico desenho de William Hanna e Joseph Barbera traz a eterna dupla rival trocando farpas em uma tentativa de roubar a cena de maestro, ao som de Die Fledermaus e Du und Du, de Johann Strauss II.

Quer você seja um fã ou um ouvinte casual, Happier Than Ever: Uma Carta de Amor Para Los Angeles é uma experiência de concerto onírica e imperdível que vale a pena conferir. E digo mais: deveria se tornar um álbum adicional disponível para ouvir em plataformas de música. O filme está disponível para assinantes no Disney+, com legendas em português.

Caio Alexandre é entusiasta de cinema, exibição, animes e cultura pop em geral. Escreve desde 2008 sobre os mais variados assuntos, mas sempre assumiu a preferência pelo cinema e sua tecnologia embarcada. Não dispensa um filme com um balde de pipoca e refrigerante com o boss no fim de semana. No TV Pop, fala sobre tudo que é tendência no universo da cultura pop. Converse com ele pelo Twitter, em @CaioAlexandre, ou envie um e-mail para [email protected] Leia aqui o histórico do colunista no site.

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