Record sabota e se recusa a apoiar vacinação de jornalistas em Belém

Sede da Record em Belém: jornalistas estão em pé de guerra com a emissora (foto: Reprodução)
Sede da Record em Belém: jornalistas estão em pé de guerra com a emissora (foto: Reprodução)
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Estado com o maior número de jornalistas mortos desde o início da crise sanitária, o Pará pode se tornar pioneiro na vacinação de pessoas que atuam na área jornalística. A Assembleia Legislativa aprovou uma moção sobre a colocação de profissionais da área da comunicação nos grupos prioritários da imunização contra a Covid-19. Hélder Barbalho, o governador do estado, já se mostrou sensibilizado e interessado em atender a demanda, e começou a negociar a mudança no calendário com a Secretária Estadual de Saúde. A Record é a única emissora que não apoiou a mudança.

Há algumas semanas, o Sindicato dos Jornalistas do Pará pediu para que os veículos de comunicação enviassem uma lista com o nome de todos os trabalhadores que continuam atuando na linha de frente da cobertura da crise sanitária. Para a Assembleia Legislativa, a reinvindicação da antecipação é válida para todos que estão envolvidos na cobertura diária e direta, e portanto, tem mais chances de serem contaminados pela doença. Todas as emissoras de televisão da cidade enviaram o nome de seus funcionários, menos a rede de Edir Macedo.

Nos bastidores, os profissionais estão revoltados e cobram providências da diretoria local. Ninguém entende qual foi a razão para a emissora, que chegou a ter profissionais mortos por complicações do vírus, ter decidido se posicionar de maneira contrária ao novo calendário de vacinação. E, além da oposição, o canal decidiu sabotar os seus próprios profissionais: em uma tentativa de consenso, o Sindicato dos Jornalistas pediu apenas uma lista com os repórteres de rua. Ainda assim, a diretoria da Record se recusou a fornecer os nomes solicitados pelo órgão.

O TV Pop teve acesso a uma série de mensagens trocadas entre profissionais da Record e de outros veículos de comunicação em um grupo de WhatsApp que reúne diversos jornalistas que atuam na capital paraense. Nele, uma experiente repórter da Record fez questão de dizer que iria cobrar explicações de seus gestores, e ressaltou que os colegas estão chocados com a decisão da gestão regional. “O Sinjor pediu o nome dos repórteres de rua para vacinar e a diretoria não enviou”, confirmou ela — a reportagem optou por preservar a identidade da comunicadora.

A Record Belém não tem um departamento específico para se comunicar com a imprensa. Kauan Lima e Silva, que atua como gerente de Jornalismo, foi procurado pela reportagem e não se manifestou até a publicação deste texto.

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