Em entrevista, Marcelo Cosme revela que não quer ser só ‘o gay do jornal’

Em entrevista inédita, Marcelo Cosme contou que não quer ser reconhecido como "o gay do telejornal" (foto: Divulgação/TV Globo)
Em entrevista inédita, Marcelo Cosme contou que não quer ser reconhecido como "o gay do telejornal" (foto: Divulgação/TV Globo)
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Um dos principais apresentadores da GloboNews, Marcelo Cosme desabafou em uma entrevista para a revista Veja. O plantonista do Jornal Hoje contou que quer ser mais do que “o gay do telejornal” e disse não ser militante da causa LGBT. “Mesmo não sendo, eu tenho um papel fundamental. Nunca tive referências gays com apresentadores dentro do telejornalismo”, contou. “Eu sou o Marcelo, filho, pai, jornalista, gay, vizinho, cunhado, colega de trabalho. Ser gay não é menos ou mais importante de tudo o que eu sou”, prosseguiu o titular do Em Pauta.

Em janeiro, o jornalista publicou pela primeira vez uma foto ao lado de seu namorado, o médico Frankel Brandão. Pouco depois, ele citou o amado durante um comentário sobre o noticiário do dia, já que ele atua na linha de frente do combate à crise sanitária. “Quando falei isso no ar, repercutiu nas redes sociais. Mas quando sai do estúdio, ninguém falou nada comigo porque isso é natural na emissora. Ninguém é tratado como o gay, o negro, o gordo. Todo mundo é igual. Por que meus colegas podem falar que tem esposa, marido e eu não poderia falar que tenho namorado? Graças a Deus, aqui na Globo, me sinto muito a vontade”, afirmou ele.

No bate-papo com a revista, Marcelo Cosme também contou que recebeu apoio de âncoras históricas do Jornalismo da Globo após falar de seu relacionamento no ar. “Eu recebi uma enxurrada de mensagens positivas. Ganhei dez mil seguidores em um dia. A Sandra Annenberg e a Fátima Bernardes, que são dois ícones do telejornalismo brasileiro, me mandaram mensagens dizendo que o que eu fiz foi importantíssimo. Se elas me elogiaram, quer dizer que eu estou no caminho certo”, festejou o apresentador.

Ainda na entrevista, o âncora deu detalhes de como a sua família lida com os seus relacionamentos. “Eu tenho um filho de 21 anos que se chama Eduardo. Fui pai com 19 anos. O Eduardo já conheceu dois namorados meus. O atual ele só conhece por videoconferência, e ele sempre levou tudo isso muito tranquilamente. Sinto que esta nova geração é mais tranquila com relação a isso. Ele nunca teve vergonha do pai ser gay, e ele tem uma namorada que também lida numa boa com isso. Eu namorei a mãe do Eduardo ainda na juventude. Depois que me separei dela, eu noivei com outra mulher e me separei também”, contou.

“Com 28 anos que eu tive coragem de ficar com o primeiro homem. Depois disso, ainda levou dez anos até contar para os meus pais, quando eu já tinha 38 anos. Mas só tenho essa vida plena mesmo, de uns dois anos para cá. Eu sou de Rio Grande, uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, bastante conservadora. Só fui contar para a minha mãe que era gay em 2016 e para o meu pai, dois anos depois”, concluiu o jornalista.

Há uma semana, Marcelo Cosme voltou a viralizar nas redes sociais com um comentário feito no Em Pauta. Durante o telejornal, o apresentador revelou que o humorista Paulo Gustavo lhe deu coragem para contar aos seus pais que é homossexual. “Eu acabei meio que me emocionando porque eu acho que todo mundo tem que agradecer um pouco ao Paulo Gustavo. Eu agradeço porque quando ele colocou naquele filme de 2013 [Minha Mãe é Uma Peça], que ele [Juliano, filho da Dona Hermínia] conta para a mãe que é gay, aí a minha mãe contando que assistiu ao filme e achava graça. E naquela época eu não tinha me assumido para minha família”, afirmou ele.

“Eu pensava o seguinte: ‘Se a minha mãe, vendo uma mãe, aceitando um filho gay, rindo na TV, ela vai me acolher quando eu contar’. Aí quando eu contei pra minha mãe, ela falou o que hoje a gente ouviu ele dizendo na Ana Maria Braga, que a mãe dele falou: ‘Olha, a gente tem medo de que você sofra na rua, mas aqui dentro de casa a gente vai segurar as pontas’. Então como esse cara mexeu com a vida da gente e me ajudou. Porque eu falava: ‘Minha mãe ria dessa história, vai me acolher’. E se ele ajudou a mim, imagina quanta gente não ele não ajudou por aí”, desabafou.

 

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