O gueto de Iza está pronto para aumentar seu império no pop nacional

Gueto é o primeiro single do próximo álbum de Iza (foto: Divulgação)
Gueto é o primeiro single do próximo álbum de Iza (foto: Divulgação)
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Um dos maiores acontecimentos da música brasileira na história recente (se não o maior), Iza figura praticamente como unanimidade quando falamos de talento, beleza e representatividade. Sua capacidade de atrair a atenção explica como ela se tornou um rosto muito comum em todas as plataformas, seja como cantora, apresentadora, jurada ou garota propaganda. Seu valor, como ela mesma diz em um de seus maiores hits, é cotado em dólar, até porque já colaborou com artistas internacionais além de receber elogios de Missy Elliot, um ícone do rap americano.

A bem da verdade, a carreira de Iza começou com passos lentos, se apresentando aos poucos para o público, testando algumas sonoridades como dance-pop e funk em “Te Pegar” e “Esse Brilho é Meu”. Cada um desses passos foi necessário para um investimento maior e ela pudesse apostar em um estilo próprio, com autenticidade e que a destacasse entre os outros artistas nacionais de sucesso à época.

Vale lembrar que 2017 foi um ano de celebração ao pop nacional, com grandes hits e a virada de carreira para Pabllo Vittar e Iza. O lançamento de “Pesadão” fez jus ao nome do single e teve investimento pesado após a participação marcante da cantora no show de Cee Lo Green do Rock In Rio de 2017. A colaboração com Marcelo Falcão atingiu em cheio quem esperava um trabalho cheio de personalidade, com uma mensagem importante de empoderamento, e a ocupação de artistas pretos em novos espaços no cenário mainstream.

A partir disso, as portas se abriram e vimos um novo ícone pop nascer no Brasil, com vontade de fazer o gênero ser inclusivo em todos os sentidos. Com isso, os convites para a TV e publicidade se acumularam e tivemos a oportunidade de vê-la em reality shows como jurada e garota propaganda, além de apresentar um programa semanal ao vivo, cantando com diversos outros artistas e esbanjando sua maestria em cantar. Isso, no início, era mais do que justo, levando em consideração o alcance do nome de Iza.

Precisamos reconhecer que, em algum momento, talvez isso tenha dado a sensação de que sua carreira como cantora tivesse ficado em segundo plano e estávamos vendo uma gestão de imagem para uma celebridade. O que não é errado, de toda forma, mas é pouco perto do que Iza é capaz de fazer em seu ofício maior. Bem parecido com o que aconteceu com Rita Ora, que teve o recorde de cantora britânica com maior número de singles em primeiro lugar na terra da Rainha, mas se dedicou alguns anos à filmes, reality shows e programas de TV até lançar seu segundo álbum, já em uma nova gravadora, com outro tipo de imagem e sonoridade.

Pelo pouco que se sabe de “Gueto”, talvez Iza não precise dar um giro tão grande para lançar seu segundo álbum. Apesar de tudo, Iza conseguiu manter aquecida boa parte do público com alguns lançamentos nesse meio tempo, como “Brisa” e “Meu Talismã”, mas nem perto da ansiedade que ronda seu próximo single. Com uma leve passeada por perfis de Instagram e Twitter, a comoção gerada pelas prévias e a capa é bem parecida com a de “Pesadão”, o que pode deixar a expectativa em cima, mas já demonstra uma capacidade de gerir seu investimento em tacadas certeiras.

Tudo o que o público de Iza quer é vê-la feliz, cantando e sendo a referência que se tornou na música nacional. Assisti-la na TV é divertido, reconfortante e extremamente importante, mas não é o principal. Seu talento merece todas as telas, todos os olhos e todos os ouvidos. É isso que a faz ser merecedora do título de imperatriz. E esse título é honorário.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop sempre nas quartas. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

Leia mais