Pandemia e George Floyd: como esses temas influenciaram a TV

Clelevand Brown mudou de dublador após a morte de George Floyd (foto: Reprodução/City)
Clelevand Brown mudou de dublador após a morte de George Floyd (foto: Reprodução/City)
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

Podemos dizer que 2020 foi um ano de mudanças para todos, seja para este autor, quanto para toda a Hollywood. A pandemia do coronavírus mudou drasticamente nossas vidas e fez com que produções fossem pausadas antes do fim, e essa não foi a única movimentação que trouxe mudanças drásticas ao audiovisual. Logo em março, quando tudo começou, as séries americanas estavam gravando seus últimos episódios das temporadas. Com a pandemia, uma das poucas séries que acabou chegando ao fim naturalmente foi o sucesso This Is Us, que já costumava ter temporadas curtas.

A crise sanitária foi tão grande que seriados como Supernatural e Empire, que chegariam ao final de seus ciclos, acabaram tendo desfechos diferentes. A primeira teve apenas 13 episódios exibidos até março e teve a sua exibição suspensa, pois a emissora sequer havia terminado de gravar os capítulos e teve dificuldades em conseguir profissionais para fazer a inclusão de efeitos especiais, enquanto a segunda acabou ganhando um final improvisado, mesclando cenas de episódios que ainda não haviam tido filmagens concluídas.

O caos provocado pelo Covid-19 caiu como uma bomba na Pilot Season, período em que são apresentados novos projetos para a avaliação das emissoras de televisão. Com receio de investir grandes quantidades de dinheiro em atrações com o futuro incerto, apenas poucas novidades conseguiram ir para a frente, afinal de contas, o único material que podia ser apresentado era o roteiro das produções. Com isso, as emissoras tiveram que apostar cada vez mais em documentários e em realities shows.

Enquanto montavam suas novas grades de programação, a Fox e a CW tiveram o pensamento de adiar tudo o máximo possível. Afinal de contas, não havia como ter certeza do que seria possível exibir ao decorrer do ano. Com isso, as suas principais séries começaram a ser exibidas apenas neste mês, quase três meses depois das estreias habituais, que costumam acontecer em setembro. Para preencher a programação de 2020, as duas redes tiveram que recorrer a seriados produzidos para temporadas de baixa audiência e/ou produzidos por empresas parceiras.

As outras três redes de televisão americanas, ABC, CBS e NBC, tiveram a coragem de anunciar a sua programação normalmente. Porém, não tiveram coragem de arriscar uma data para a estreia de suas novidades, prometendo fazer os anúncios de maneira gradativa, conforme a pandemia do coronavírus evoluísse. This Is Us, o maior sucesso da NBC, teve apenas quatro episódios exibidos e teve que fazer um hiato, sendo retomada apenas em janeiro.

A pandemia, por sinal, não foi o único evento de 2020 que acabou influenciando o mundo audiovisual. O brutal assassinato de George Floyd deu início a uma série de questionamentos na atuação da polícia e foi responsável por dar voz as minorias. Por conta disso, surgiu nos bastidores de animações um movimento dos próprios artistas, que passaram a defender que personagens negros deveriam ser dublados por pessoas da mesma etnia. Um exemplo disso foi em Uma Família da Pesada, onde o personagem Cleveland Brown passou a ser feito pelo youtuber Afif Zahir, que era conhecido por parodiar a série. Antes dele, o posto foi ocupado por 21 anos por Mike Henry.

Mateus Ribeiro é engenheiro por formação, e nas horas vagas se diverte maratonando séries e assistindo programas de origem duvidosa da televisão brasileira. No TV Pop, escreve semanalmente sobre as séries produzidas pela indústria norte-americana. Converse com ele pelo Twitter @omateusribeiro. Leia aqui o histórico do colunista no site.

Leia mais