Análise: Luísa Sonza jamais deveria parar de fazer o que ama

Luísa Sonza virou alvo de ataques após morte do filho de Whindersson (foto: Reprodução)
Luísa Sonza virou alvo de ataques após morte do filho de Whindersson (foto: Reprodução)
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Com uma história que se confunde com a da maioria das cantoras pop, Luísa Sonza construiu seu sonho com muita determinação e a vontade maior que é a de cantar. Lançando covers no YouTube, ganhou visibilidade o suficiente para conquistar um contrato com a Universal Music, que há algum tempo necessitava de nomes jovens da música pop em seu casting. Ainda timidamente, Luísa investiu em músicas mais genéricas no início, além de não chamar muita atenção por sua performance nas coreografias de seus clipes.

O tempo passou e o aprimoramento veio junto, tanto no conteúdo e produção das músicas, quanto em sua desenvoltura para realizar a rotina de dança que poderia colocá-la em outro nível. Sua primeira grande parceria pop, com Pabllo Vittar em Garupa, já começou a lhe render alguns dos bons primeiros frutos. O fandom dedicado de Vittar se sentiu à vontade para acolher a cantora gaúcha e ela já podia se sentir preparada para subir novos degraus.

A partir da mega colaboração em Combatchy, Luísa Sonza estava no foco pela primeira vez por algo que ela realmente merecia: seu talento. Até então, sua carreira vinha sendo desmerecida, seja pela imagem meio monótona que seu trabalho tinha até então ou pela fama de terceiros que a rodeavam e faziam parecer que ela sempre teria que lutar mais ainda para alcançar um status próprio. Finalmente, ela o alcançou.

Em 2020, aquele que seria o melhor ano de sua carreira, ela lançou Braba, que se tornou basicamente seu carro-chefe e imprimiu ainda mais personalidade, o que fez surgirem vários outros hits ao longo do ano que praticamente monopolizaram as paradas musicais brasileiras. Em paralelo, o sucesso aumenta e a pressão midiática também. Luísa era um alvo fácil antes, mas agora ela era independente, bem-sucedida e excessivamente famosa, fazendo muita gente ficar sem argumento.

O que restou foi partir para as fake news, uma mais absurda que a outra, tornando o que era ruim, ainda pior. Quando entendemos que a internet se tornou um ambiente hostil que dá, na mesma medida, voz ao bom senso e à imbecilidade, isso explica muita coisa. O que não explica é como as mentiras que criaram ao redor de Luísa Sonza levaram à ameaças e ofensas que não aplicamos às pessoas de nosso convívio. Talvez isso diga muito mais sobre essas pessoas que vão à redes sociais dos artistas e, na redoma de suas pobres vidas, se acham dignas de julgar atos que nem fazem parte de uma realidade.

Os planos de um artista nunca deveriam incluir uma proteção exclusiva aos ataques virtuais, quanto mais serem adiados por esse motivo. Isso é a pior representação do quanto eles significam, para a vida particular do artista e para quem está envolvido em seu trabalho. O mais importante nesse momento é que ela se sinta bem, protegida e longe de toda a onda de ódio que a rodeia. Mas não deveria ser assim. Ninguém deveria ter o seu direito de trabalhar com o que ama porque existem criminosos que a odeiam.

Os crimes cibernéticos, de qualquer origem, ultrapassam as telas de computadores e celulares, eles atingem a vida das pessoas e suas autoestima, confiança e segurança. Já passou da hora de entendermos a gravidade disso. Ou podemos nos acostumar a ver mais artistas se afastando de suas funções, mais sonhos sendo destruídos, mais pessoas buscando tratamentos psicológicos devido traumas causados pela interação virtual. Particularmente, eu me recuso a me acostumar com isso.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop sempre nas quartas. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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