Primeira série nacional da HBO Max, Os Ausentes é um show de clichês

Os Ausentes é a pior produção nacional já feita pela HBO (foto: Divulgação/HBO Max)
Os Ausentes é a pior produção nacional já feita pela HBO (foto: Divulgação/HBO Max)
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Prestes a completar um mês de funcionamento no país, a HBO Max finalmente estreou o seu primeiro conteúdo feito em solo nacional. Os Ausentes foi disponibilizado pela plataforma de streaming no dia 22, já com todos os episódios liberados para os assinantes. A trama traz nos papeis principais Erom Cordeiro e Maria Flor e fala da história de uma firma particular que trabalha para encontrar pessoas desaparecidas. A trama é vendida como um Original Max, mas na verdade foi criada para ser uma série do TNT. Ela, porém, acabou remanejada para o streaming na última hora.

Apesar de falar sobre um problema social da sociedade, o desaparecimento de pessoas, a série não consegue ser original. Ela bebe muito da fonte de séries americanas e isso a tornou mais clichê que o normal. Without a Trace (conhecida no Brasil como Desaparecidos) pode ter sido uma das maiores inspirações, até por falarem do mesmo tema, mas a trama também se parece com vários filmes de ação. Nas primeiras cenas, não sabia se estava vendo a série ou O Protetor. O protagonista, tal qual Denzel Washington, usa uma lanchonete para encontrar os clientes.

E não é só a trama que parece algo já visto antes. Por exemplo: o personagem principal é todo trabalhado como alguém que não conversa muito e dono de algum passado sombrio (que é revelado em doses homeopáticas de flashbacks durante o caso da semana). Também há o caso da personagem de Maria Flor, que comete erros de principiante para nos introduzir no modo em que os casos são construídos em Os Ausentes.

Completei todas as caixinhas de clichê? O único ponto que acho original é que por ser uma empresa privada, e não um órgão de segurança, pode acabar acontecendo da companhia ser contratada para que achem pessoas que não querem ser encontradas. Mas isso esbarra no código de honra do protagonista de sempre fazer o bem. Eu sempre digo que clichê é bom quando é bem feito, e aqui (ao menos no primeiro episódio) não foi. Você ainda não tem vínculos com os personagens, mas ficam jogando informações para absorver, além de deixar alguns mistérios no ar.

Mateus Ribeiro é engenheiro por formação, e nas horas vagas se diverte maratonando séries e assistindo programas de origem duvidosa da televisão brasileira. No TV Pop, escreve semanalmente sobre as séries produzidas pela indústria norte-americana. Converse com ele pelo Twitter @omateusribeiro. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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