Soul e a inevitável comparação com Divertidamente

Joe Gardner e seu gato, mas esse quadro é muito mais divertido quando visto na cena inteira. (Foto: Reprodução/Disney)
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Saindo um pouco do lado oriental que essa coluna toma desde o começo, hoje queria conversar um pouco sobre Soul, o mais recente lançamento da Disney-Pixar que estava previsto para chegar aos cinemas, mas, com a pandemia de coronavírus, acabou chegando como um lançamento exclusivo do Disney+.

Eu procuro nunca saber nada sobre os filmes que pretendo assistir, me limitando apenas a ver notícias sobre o lançamento e um ou outro inevitável trailer nos cinemas, que acaba sendo “obrigatório” ao assistir filmes nas telonas. Ainda no cenário pandêmico, mesmo com o retorno das atividades econômicas, não me vi pronto para voltar a visitar complexos com a mesma frequência de 2019, abrindo apenas uma exceção em todo este período: para assistir O Tempo Com Você, assunto da minha primeira coluna aqui no TV Pop.

Traços efêmeros e leves são características dos seres do além-vida. (Foto: Reprodução/Disney)

Soul é um filme que quase passou despercebido, não fosse a sequência de fatos que contou com a chegada do serviço de streaming da Disney no Brasil e um bom investimento no marketing. Previsto para ser lançado no meio de 2020, foi adiado para novembro mas acabou chegando no natal para os assinantes do streaming do Mickey. Apesar disso, ele teve seu prestígio pelo mundo, passando por festivais de cinema como o de Roma, em outubro.

Grande parte do público que assistiu Soul fala que o filme parece ser um spin-off de Divertidamente, sendo uma desventura sobre os sentimentos de um personagem e suas emoções como coadjuvantes. O filme retrata um pouco da vida de Joe Gardner, um professor de música apaixonado que tem experiências sobrenaturais pós-vida após sofrer um acidente deveras aleatório. Lá, ele encontra a Vinte e Dois, uma alma que tem pavor de viver na Terra e resiste bravamente ao chamado da vida. Dá para dizer que Soul é tipo um Nosso Lar da Disney, só que mais leve.

Vinte e Dois e a alma de Joe Gardner. (Foto: Reprodução/Disney)

Há quem diga que Soul bebe de uma fonte que a Pixar vem reutilizando desde os primeiros filmes, como Toy Story (brinquedos com sentimentos), Monstros S.A. (monstros com sentimentos), e o próprio Divertidamente (sentimentos com sentimentos). Tornei a ler outras críticas e a conclusão que me deu a ideia de discutir isso era quase sempre a mesma, mas eu quero aproveitar esse texto para discordar da grande maioria.

Soul já tem um pé na música desde o início, com a vinheta da Disney tocando sob um jazz dissonante e apresentando um elenco de respeito, recebendo na versão original Jamie Foxx no papel principal e grandes nomes como Questlove, da banda The Roots, Daveed Diggs (Hamilton), Angela Bassett (Pantera Negra), Graham Norton e a brasileira Alice Braga (Cidade de Deus).

Cenários do filme variam entre a vida real e o além-vida, usando a música como ponte. (Foto: Reprodução/Disney)

A direção, assinada pelo próprio presidente da Pixar Pete Docter, certamente queria um filme em que pudéssemos questionar as nossas visões, saindo dos créditos nos perguntando “o que eu estou fazendo?” ou “o que o futuro me reserva?”. O filme consegue entregar uma visão etérea através dos traços lineares das almas do além-vida, e isso acaba tranquilizando o espectador.

Para o final, como um bom filme da gigante do cinema, também vem a questão moral, uma mensagem sobre fazer o que gosta sem perceber e sofrer correndo atrás de algo que parece ser o que gosta. A Pixar sempre teve essa vertente de contar histórias adultas usando o público infantil: Up – Altas Aventuras e Viva – A Vida é uma Festa são exemplos incontestáveis, conseguindo sempre passar uma mensagem poderosa para todas as idades, mas sair de Soul é como sair de uma consulta com um terapeuta. Eu não me surpreenderia se uma criança de uns quatro anos que acabou de assistir o filme começasse a questionar seus propósitos de vida.

Soul está disponível no Disney+ para assinantes da plataforma.

Caio Alexandre é entusiasta de cinema, exibição, animes e cultura pop em geral. Escreve desde 2008 sobre os mais variados assuntos, mas sempre assumiu a preferência pelo cinema e sua tecnologia embarcada. Não dispensa um filme com um balde de pipoca e refrigerante com o boss no fim de semana. No TV Pop, fala nas manhãs de quinta sobre tudo que é tendência no universo da cultura pop. Converse com ele pelo Twitter, em @CaioAlexandre, ou envie um e-mail para [email protected] Leia aqui o histórico do colunista no site.

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