A guerra de Taylor Swift para ter direito àquilo que lhe pertence

Taylor Swift vive em pé de guerra com a sua antiga gravadora (foto: Divulgação)
Taylor Swift vive em pé de guerra com a sua antiga gravadora (foto: Divulgação)
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Uma das maiores guerras já vistas no mundo da música está simplesmente acabando e, de certa forma, em paz e silenciosamente. Taylor Swift vai relançar o seu segundo álbum de estúdio, “Fearless”, em uma nova versão intitulada de “Taylor’s Version”. Isso tudo porque a cantora, que atualmente faz parte da gravadora Republic Records, tentou comprar os direitos das gravações das músicas e álbuns lançados por sua antiga gravadora, que acabou vendida a um desafeto.

Aqui não é um espaço para citarmos basculho, como disse o participante do Gil do BBB21. O fato é que Taylor sempre lutou pelo direito de ser dona de seu próprio trabalho, que é reconhecidamente lucrativo e aclamado, com certa unanimidade que não é mais do que mérito da grande compositora e intérprete que ela é. Não são todos os cantores que conseguem transitar entre diversos gêneros musicais e ainda imprimir um estilo próprio, além de ampliar seus alcance e conexão com o público.

Inegavelmente, o que faz diferença no trabalho de Taylor é a sua conexão com o público, cantando aquilo que vive e transformando sentimentos em música, seja sobre um término de relacionamento ou como o machismo interfere no seu trabalho. Ora, se não seria machismo o que Taylor sofreu durante todos esses anos. Essa própria guerra de direitos sobre músicas que ela mesma escreveu e cantou só reflete que, de uma forma ou de outra, sempre tentaram silenciar Taylor.

O que incomoda não é só que ela saiba fazer isso tudo, é que ela sabe fazer isso tudo muito bem e não vai ter receio de falar sobre qualquer pauta que passe por sua vida e exponha situações em que se sinta prejudicada, julgada e inferiorizada. Não faz sentido mesmo que alguém que tentou te prejudicar agora tem os direitos das gravações das canções que você interpretou e ainda quer lucrar com isso.

Esse é o ponto para Taylor. Ela poderia pagar todo o dinheiro que tem para ter controle do que ela criou, mas jamais faria isso sabendo que essa pessoa teria lucro com isso, por mínimo que fosse. O relançamento é uma ferramenta de ela realmente controlar o próprio trabalho, feito por suas próprias mãos, e os fãs continuarem usufruindo dele sem dar um tostão para quem detém os direitos das gravações.

Mais do que isso, é uma oportunidade de reinterpretar os seus maiores sucessos e ela começou exatamente por seu primeiro grande hit, “Love Story”. Se você vasculhar um pouco, vai encontrar vários vídeos de pessoas pedindo seus parceiros e parceiras em casamento ao som dessa música, inclusive em shows da própria Taylor. Essa música é marcante para os fãs, para Taylor e para sua carreira. Não só por ter feito sucesso, mas por ser o ponto de virada em sua carreira e que é lembrada até hoje, como se fosse um trabalho de storytelling dos que tiram nota dez. O que mais seria a carreira de Taylor se não um grande trabalho de storytelling? Afinal, a música sempre contou histórias e das mais famosas, mas nem sempre criou tantos laços entre artistas e fãs.

São esses laços que a tornam mais forte que seus algozes. Provável que ela tenha entendido isso há um bom tempo e essa estratégia de relançar os próprios álbuns seja só uma maneira de fazer o mundo entender isso de uma vez por todas. Por mais ressalvas que você possa ter sobre posicionamentos e a maneira com que ela conta sua versão das histórias que vive, é preciso admitir que ela sempre busca formas de se conectar com as pessoas, independente de serem seus fãs ou não. Ela só quer ter o direito de ser uma cantora, compositora, instrumentista, produtora, entre outras funções do que é ser uma mulher múltipla na indústria musical e que entende que se fosse um cara, seria o cara.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop nas manhãs de quarta-feira. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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