Adriana Oliveira, ex-repórter da TV Bahia, afiliada da Globo, revelou detalhes sobre os bastidores do jornalismo televisivo durante participação no programa Giro Baiana 1ª edição, da rádio Baiana FM. Com mais de três décadas de carreira, a jornalista relatou pressões profissionais, mudanças no formato das coberturas e impactos emocionais vividos ao longo da trajetória.
Segundo Adriana Oliveira, havia exigências relacionadas à aparência dentro da emissora. “Eu lembro de um período longo em que a gente era orientado a ter cabelo acima do ombro. Isso era dito, verbalizado, porque era todo um padrão”, afirmou. Ela também mencionou situações de tensão ao lidar com regras visuais. “Eu tenho tatuagem na perna, eu ia apresentar e teria que usar saia, eu fiquei tensa”, disse.
A jornalista também criticou transformações no estilo de cobertura ao longo dos anos. “Essa mudança para o ‘policialesco’, esse jornalismo raso, de performance, gerou um choque. Não foi isso que eu aprendi a fazer”, afirmou. Para ela, a prática profissional deve priorizar o contato direto com as pessoas. “Eu aprendi jornalismo no asfalto, olho no olho, na rua”, completou. A comunicadora deixou a emissora em novembro de 2025.
Além das questões profissionais, Adriana Oliveira destacou os efeitos da rotina intensa na saúde mental. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais separar a dor do outro da minha. Isso foi me adoecendo”, disse. A jornalista relatou episódios de ansiedade e depressão durante o período em que atuava na televisão. “Teve dias em que eu ficava 20 minutos no estacionamento pensando se entrava ou não. Eu ia trabalhar chorando”, afirmou.
A conciliação entre trabalho e maternidade também foi apontada como um desafio constante na carreira. A jornalista contou que, em algumas ocasiões, precisou levar a filha escondida para conseguir cumprir compromissos profissionais. “Eu tive que levar a minha filha escondida algumas vezes no banco de trás para conseguir fazer o ao vivo de 6h da manhã”, revelou.


