A empresária Marcela Porto, conhecida como Mulher Abacaxi, relembrou dificuldades enfrentadas durante o auge das mulheres-frutas nos anos 2000. A caminhoneira afirmou que recebia apenas R$ 200 de cachê e relatou episódios de preconceito em shows e aparições na televisão. Segundo ela, o público reagia de forma hostil durante apresentações. A artista também disse que recebia menos convites para programas de TV do que outras integrantes do movimento.
“Na época, tinha eu e a Banana de trans. Na verdade, eu ainda era drag. Acho que as pessoas iam para os bailes esperando alguém com o mesmo perfil que as outras mulheres-frutas e, chegando lá, me viam. Montada. Já levei vaia e ainda arremessavam objetos. Levei muita latada e copo de cerveja”, declarou a Mulher Abacaxi ao lembrar das apresentações feitas naquele período.
Mulher Abacaxi relata preconceito e cachê baixo
A empresária afirmou que chegou a cogitar abandonar a carreira artística por causa da rejeição e da baixa remuneração recebida nos eventos. Segundo ela, os trabalhos nos palcos não eram suficientes para pagar as despesas pessoais. “Pensei até em desistir, até mesmo porque meu cachê era baixíssimo. Ninguém queria pagar mais de 200 reais. Sempre o que pagava minhas contas eram os meus caminhões”, afirmou.
Marcela Porto também contou que tinha pouca proximidade com outras mulheres-frutas fora dos eventos profissionais. Apesar disso, disse manter contato até hoje com algumas artistas do grupo. “Sempre que encontrava em eventos, conversava. Mas não era amiga, não. Só da Mulher Maçã e Pera. Falo com ela até hoje. Acho a Melancia uma fofa, mas nunca tive muito contato”, completou.


