O reality Married at First Sight UK, exibido pelo Channel 4, entrou no centro de uma crise no Reino Unido após denúncias de estupro e abuso sexual envolvendo participantes da atração. Segundo investigação divulgada pela BBC, o caso provocou reação do governo britânico e pode resultar em investigação policial.
Dan Jarvis, ministro da Segurança do Reino Unido, classificou as acusações de três mulheres como graves e afirmou que considera altamente provável a abertura de um inquérito policial. As denúncias também provocaram impactos comerciais e editoriais para a atração. O Channel 4 retirou episódios do ar, e a operadora de turismo Tui decidiu suspender o patrocínio ligado ao reality exibido pela emissora britânica.
Married at First Sight UK reúne pessoas desconhecidas que aceitam se casar logo após o primeiro encontro. Semanas depois da cerimônia, os participantes precisam decidir se permanecem juntos ou encerram o relacionamento. Após as denúncias divulgadas pela BBC, o Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido afirmou que casos envolvendo possíveis crimes ou irregularidades exigem consequências e apuração adequada.
A Ofcom, órgão responsável pela regulação das comunicações britânicas, declarou que emissoras de televisão precisam garantir medidas efetivas de proteção e bem-estar aos participantes de realities. Em nota oficial, o Channel 4 informou ter solicitado uma revisão externa dos protocolos de segurança relacionados ao programa. Segundo a emissora, a decisão foi tomada no mês anterior, após o recebimento de acusações consideradas graves.
A CPL, produtora responsável pela versão britânica do reality, afirmou que mantém padrões elevados de segurança para participantes. Já Priya Dogra, diretora executiva do Channel 4, declarou que os acusados contestam as denúncias feitas pelas mulheres. A executiva também evitou comentar a possibilidade de um pedido público de desculpas às participantes envolvidas nas acusações.
A investigação da BBC afirma que o Channel 4 já tinha conhecimento de parte das acusações antes da exibição dos episódios relacionados ao caso. Mesmo assim, o conteúdo permaneceu disponível até a retirada posterior da programação. O episódio ampliou questionamentos sobre os limites e os protocolos adotados por realities de relacionamento produzidos para televisão no Reino Unido.
Alex Mahon, diretora executiva do Channel 4 entre 2017 e 2025, deverá prestar esclarecimentos ao Departamento de Cultura, Mídia e Esporte. Caroline Dinenage, presidente do órgão, afirmou que o formato do programa apresenta riscos evidentes pela dinâmica proposta aos participantes. Segundo ela, o reality exige intimidade imediata entre pessoas desconhecidas, situação considerada potencialmente problemática pelas autoridades britânicas.


