O zagueiro Roberto Lopes, conhecido como Pico, chegou ao time de Cabo Verde depois de receber uma mensagem no LinkedIn. O contato, porém, quase foi ignorado definitivamente pelo atleta. Nascido e criado em Dublin, na Irlanda, o artista construía uma carreira discreta no futebol local quando recebeu, em 2018, uma mensagem enviada por Rui Águas, então treinador da seleção.
O técnico havia descoberto que o defensor possuía ascendência cabo-verdiana por parte do pai e demonstrou interesse em convocá-lo. O problema surgiu porque a mensagem foi escrita em português. Sem conhecimento do idioma e acostumado a utilizar a plataforma apenas para assuntos profissionais e acadêmicos, o jogador desconfiou do conteúdo. Por acreditar que se tratava de uma tentativa de golpe, o defensor simplesmente ignorou o contato recebido.
A história não terminou com a primeira tentativa frustrada. Determinada a encontrar o atleta, a federação de Cabo Verde insistiu no contato e voltou a procurá-lo meses depois. Desta vez, a mensagem foi enviada em inglês. Com o idioma familiar, Roberto Lopes finalmente compreendeu o convite e iniciou as conversas para defender a seleção africana.
Desde a estreia, em 2019, o zagueiro passou a ocupar posição importante na equipe nacional e se transformou em um dos pilares do elenco. “Achei que a mensagem era um spam. Eu deveria ter usado o Google Tradutor antes”, brincou o jogador em entrevista publicada pela Fifa.
A declaração virou um dos relatos mais comentados envolvendo atletas que disputam a Copa do Mundo de 2026. A trajetória de Roberto Lopes acompanha um momento histórico para Cabo Verde. O país africano disputa pela primeira vez uma edição da Copa do Mundo.
Com cerca de 600 mil habitantes e pouco mais de cinco décadas de independência de Portugal, conquistada em 1975, o arquipélago garantiu presença inédita no principal torneio do futebol mundial. O território possui aproximadamente 4 mil quilômetros quadrados, dimensão equivalente a cerca de um quarto da área do estado de Sergipe, o menor do Brasil.
Grande parte dos jogadores convocados nasceu fora de Cabo Verde, mas possui vínculos familiares que permitem representar a seleção nacional. Foi justamente esse modelo que possibilitou a formação da equipe conhecida como Tubarões Azuis.


