ANÁLISE

Nova versão de Um Maluco no Pedaço tem a fórmula do êxito de remakes

Foto de divulgação da nova versão de Um Maluco no Pedaço
Jabari Banks, o novo Will, e Jordan L. Jones como Jazz em Bel-Air (foto: Divulgação)

Um Maluco no Pedaço, série que levou Will Smith — que até então era conhecido como rapper —  ao estrelato, ganhou um remake neste ano com a chancela do serviço americano de streaming Peacock, com uma primeira leva de dez episódios e uma segunda temporada garantida. No Brasil, a temporada completa foi disponibilizada nesta quarta-feira (18) no Star+. The Fresh Prince of Bel-Air, nome original do seriado, encurtado na nova versão para apenas Bel-Air, transforma os eventos da conhecida comédia em uma versão dramática e atualizada para a atualidade.

A bem da verdade, até mesmo a trama original tinha um fundo pesado que era disfarçado pela comédia, com a exceção de episódios que abordavam assuntos mais pesados. O responsável por essa virada? Morgan Cooper, um diretor e escritor até então desconhecido, que gravou em 2019 um vídeo viral adaptando a trama com tons mais dramático. Além de elogios em todas as redes sociais, o material chegou as mãos de Will Smith.

O ator gostou tanto do projeto que se juntou a Cooper. Eles criaram um projeto real que foi oferecido a três gigantes do streaming americano: HBO Max, Netflix e Peacock. E quem conseguiu a chance de produzir a trama foi a plataforma mantida pela NBC — que é uma das mais recentes do mercado de vídeo sob demanda. Assim, a série tem a missão de atrair mais assinantes para o serviço, ainda nanico na comparação direta com os seus rivais.

A trama principal da nova versão de Um Maluco no Pedaço segue a mesma linha da história que é contada na abertura da série de 1990. Muitos, assim como eu, certamente devem ter assistido ao seriado quando crianças e, provavelmente, não sabiam a tradução ou não entendiam. Will, em uma versão fictícia, é um proeminente jogador de basquete de Filadélfia, que acidentalmente, se envolve numa briga de gangues na quadra onde jogava. Sua mãe, com medo do que pode acontecer manda seu filho para Los Angeles morar com sua irmã e assim ter uma educação melhor.

Por conta dele ter sido criado em uma vida não tão luxuosa e não contar uma educação sofisticada, acabam acontecendo as confusões celebrizadas ao decorrer das seis temporadas da primeira versão da história. Para o remake, todos os personagens foram mantidos, mas atualizados para a década atual: temos Geoffrey, que não é mais um mordomo e sim o gerente da casa; Hilary é uma Influenciadora; Carlton, sem suas dancinhas, virou uma pessoa privilegiada da forma mais irritante possível a ser retratada; Tio Phil tem que lidar com uma campanha política; e o Jazz… bem, segue sendo o Jazz. Já Ashley, deixo para você descobrir.

Com a troca de tom e a atualização dos personagens, considero que a série se tornou em um dos melhores remakes já feitos. A essência está ali, mas conversa com uma nova audiência e não é só um copia e cola dos roteiros originai — Cowboy Bebop é um grande exemplo: uma das grandes apostas recentes da Netflix foi rifada  rapidamente justamente por querer fazer algo tão diferente da trama de origem, ao ponto de parecer que eram outros personagens. Se Bel-Air continuar no caminho atual, ela sentará no trono como um dos melhores remakes já feitos.

Mateus Ribeiro é engenheiro por formação, e nas horas vagas se diverte maratonando séries e assistindo programas de origem duvidosa da televisão brasileira. No TV Pop, escreve sobre as séries produzidas pela indústria norte-americana. Converse com ele pelo Twitter @omateusribeiro. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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