Luciana Gimenez divulga carta aberta após ser chamada de prostituta por Jorge Kajuru

Após ser chamada de prostituta por Kajuru, Luciana Gimenez divulga carta aberta (foto: Reprodução)
Após ser chamada de prostituta por Kajuru, Luciana Gimenez divulga carta aberta (foto: Reprodução)
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Luciana Gimenez, apresentadora do Superpop na Rede TV!, divulgou uma carta aberta nesta segunda-feira (29) em apoio às mulheres após ataques recebidos do ex-apresentador esportivo e senador Jorge Kajuru (Cidadania) durante uma live no canal da atriz Antonia Fontenelle no dia 25 de março no YouTube.

Na live, Kajuru disse que a apresentadora da Rede TV! é “uma garota de programa e desqualificada”. Antes, ele criou polêmica ao afirmar que é o pai biológico de Marcela, uma das filhas do ex-jogador de futebol Túlio Maravilha. A suposta relação com a ex-mulher de Túlio, Alessandra, teria ocorrido enquanto ela estava separada, aos 17 anos.

Na carta, Luciana Gimenez diz que todos os dias mulheres são atacadas fisicamente e psicologicamente por homens machistas e misóginos: “A forma que esse tipo de pessoa sorrateira usa para atingir e calar uma mulher é através de sua honra, sua estabilidade psíquica ou sua integridade física”.

Luciana Gimenez diz ainda que muitas vezes esses homens conseguem entrar nas mentes das mulheres e quebrá-las em vários pedaços. Ela fala que elas “recolhem seus caquinhos porque são resilientes, mas isso precisa acabar”.

Leia a carta na íntegra:

“Todos os dias mulheres são atacadas fisicamente e psicologicamente por homens machistas e misóginos. E a forma que esse tipo de pessoa sorrateira usa para atingir e calar uma mulher é através de sua honra, sua estabilidade psíquica ou sua integridade física.

Muitas vezes eles conseguem entrar em nossas mentes e nos quebrar em vários pedaços. E mais uma vez vamos lá e recolhemos nossos caquinhos, porque somos resilientes, mas isso precisa acabar. Precisamos mostrar a esses covardes que assim como somos fortes para nos levantarmos, somos fortes para derrubá-los. Acredito que toda generalização é burra, ou seja, nem todo homem é ruim, mas os que são psicopatas devem ser expostos e punidos.

Uma mãe é capaz de qualquer coisa para proteger suas crias, inclusive se calar por anos, mesmo sendo atacada constantemente. Lambemos nossas feridas e aguentamos firme, mas quando resolvemos reagir, podem ter certeza, somos capazes de ir até as últimas consequências para proteger o que é mais sagrado para nós.

O erro do homem abusador psicológico é achar que sua vitima nunca irá se livrar do cativeiro. Pois bem, ela é capaz, porque sabe gritar. Ela não irá hesitar em gritar e pedir ajuda a outras que entendem pelo que ela passa, mas é importante estarmos atentas e vigilantes para ajudarmos.

Assim como eu fiz durante essa pandemia, recomendo a cada uma que se informe e leia mais sobre o assunto, que aprendam, que vejam que é algo necessário.

Mulheres, está em nossas mãos parar os abusadores, seja aquele que faz a piadinha que constrange, mesmo que na cabeça dele seja um elogio, até os que nos violam física e psicologicamente.

Temos que parar de normalizar e aceitar quando homens nos chamam de loucas, e quando se acham no direito de inventar histórias para nos diminuírem mexendo com nossa honra. Está na hora de transformar nossa dor em força, nossas lágrimas de tristeza em de felicidade. Está na hora pararmos de pedir respeito e sermos respeitadas pelo simples fato que é um direito nosso, não um pedido.

Da executiva a faxineira, dá religiosa a garota de programa, todas merecem respeito, todas, sem restrições. E se algum homem disser o contrário, vamos mostrar que isso não é aceitável. Porque algo realmente está errado numa sociedade onde o homem pode andar sem camisa e é elogiado, enquanto a mulher, se fizer o mesmo, é punida pela definição de ato obsceno do código penal.

Peço a cada uma que está lendo isso que, mesmo não sendo fácil, exponha homens machistas, misóginos e abusadores, porque eles só têm coragem de serem assim quando não são vistos, quando se sentem protegidos, alguns até por foro privilegiado. Aos colegas da imprensa e da comunicação, peço que evidenciem cada vez mais esses homens e suas atitudes, porque noticiar suas falas sem deixar claro o crime que eles estão cometendo é compactuar com seus atos. E calar uma mulher é dar força ao seu algoz.

A cada 7 horas, uma mulher morre vitima de feminicídio. A cada 1 hora, 500 mulheres são espancadas. A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil. E tudo isso começa com um xingamento, um grito ou simplesmente porque o homem se acha no direto de fazer”.

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