ESTRATÉGIA?

Apple TV diz que Brasil cresce, mas não é prioridade para produções

Eddy Cue afirma que plataforma aposta em qualidade e expansão gradual, enquanto mercado brasileiro lidera crescimento de assinantes

Quatro pessoas estão reunidas em um ambiente que parece ser um escritório ou sala de reuniões com paredes de vidro e iluminação quente. No centro, um homem de meia-idade com barba curta e óculos está sentado à mesa, vestindo blazer marrom e camisa escura. Ele parece estar falando com intensidade ou discutindo algo importante. À esquerda, outro homem, também de meia-idade, usa terno escuro e observa com expressão séria. Atrás, uma mulher de cabelo longo e óculos demonstra surpresa ou preocupação. À direita, outra mulher com cabelo curto, usando camisa estampada em tons terrosos, parece pensativa, levando a mão ao rosto.
Apple TV prioriza originais como O Estúdio e não foca no Brasil (foto: Reprodução/Internet)

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A Apple TV reuniu cerca de 200 jornalistas nos Estados Unidos para apresentar suas apostas para 2026. O vice-presidente sênior de serviços da Apple, Eddy Cue, subiu ao palco para defender a estratégia da plataforma. Segundo ele, o serviço nasceu há sete anos com foco em qualidade e produção própria.

“Nós começamos este serviço há sete anos, não para ser a plataforma com a maior quantidade de conteúdos, mas com a melhor qualidade”, afirmou Cue para a Folha de S.Paulo. “Isso é parte do DNA da Apple em todas as suas operações. Nenhum serviço começou do zero como nós. Nós não quisemos licenciar séries e filmes, porque estávamos focados em fazer os nossos próprios”, disse.

A decisão de trabalhar apenas com produções originais fez da Apple TV um catálogo associado a títulos de prestígio, como filmes recentes de Martin Scorsese e Spike Lee. Por outro lado, a estratégia limitou a presença internacional em comparação com concorrentes que investem em produções locais, como Netflix, Amazon e Disney, que mantêm operações robustas no Brasil.

Apesar de reconhecer o potencial do mercado brasileiro, Eddy Cue afirmou que ampliar a produção nacional não é prioridade no curto prazo. Ele destacou que a expansão internacional já contempla países como México e Colômbia, mas ressaltou que o desenvolvimento de séries e filmes exige prazos longos até a estreia nas telas.

“Não funciona tão rapidamente quanto eu gostaria, especialmente se você quer ser realmente bom, mas chegaremos lá. Sei que os brasileiros querem qualidade, eu aprecio isso, e sei também que no Brasil há muita oportunidade para criar bons conteúdos”, disse o executivo. Sobre a possível regulamentação do streaming no Congresso, declarou: “mas não temos nada para anunciar agora”.

Segundo Eddy Cue, o Brasil é atualmente o mercado que mais cresce dentro da Apple TV e ocupa a segunda posição em número de assinantes. Ainda assim, a empresa não pretende concentrar esforços apenas no sob demanda. A estratégia contempla lançamentos nos cinemas em parceria com estúdios tradicionais antes da chegada ao streaming.

O modelo foi adotado com Assassinos da Lua das Flores (2023), dirigido por Martin Scorsese, lançado globalmente pela Paramount antes de estrear na plataforma. Diante do debate sobre janelas de exibição, Cue afirmou que as salas seguem relevantes. “Há uma crise neste mercado porque as pessoas têm muito o que fazer hoje em dia, então o nível de exigência para sair de casa e ir até o cinema está alto”, declarou.

“Mas não há substituto para essa experiência, para ver um filme coletivamente, para ir a um encontro no cinema, para curtir a noite com os amigos ou os filhos vendo um filme. É algo realmente único e que eu acredito que vai se tornar ainda mais valioso com o tempo.”

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