O Plantão da Globo completa 35 anos nesta quinta-feira (21) como uma das vinhetas mais reconhecidas da televisão brasileira. A trilha sonora criada para anunciar notícias urgentes quase não foi aprovada internamente na emissora. O projeto nasceu no início dos anos 1990, quando o jornalismo da Globo buscava criar uma identidade única para os boletins extraordinários exibidos durante interrupções da programação normal.
A pedido de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o maestro João Nabuco criou a trilha em apenas um dia. Na época, ele produziu sozinho toda a composição no estúdio de casa, sem imagens de referência. “Gravei todos os instrumentos. Peguei o sintetizador, a bateria eletrônica, fiz uma porção de samplers, misturei tudo e fiz sozinho ali”, contou o músico sobre o processo de criação da vinheta.
Apesar da aprovação imediata de Boni, a trilha do Plantão da Globo dividiu opiniões dentro da emissora. O então designer Mauro Borja Lopes, conhecido como Borjalo, considerou a combinação da música com os microfones girando “assustadora demais”. “Ele dizia: ‘Parece que o mundo vai acabar, não pode ser assim. Quando tocar, vou sair correndo para longe da televisão, em vez de correr para ver’”, relembrou Boni.
Mesmo diante das críticas, Boni decidiu aprovar imediatamente a composição sem ouvir outras propostas apresentadas no concurso interno promovido pela Globo. O executivo buscava uma trilha com impacto semelhante ao do Repórter Esso, radiojornal que marcou sua infância nos anos 1940. “Pensei: ‘Quando eu estiver na televisão, preciso encontrar uma música desse tipo’”, afirmou.
Com a trilha definida, Boni entregou o trabalho ao designer Hans Donner, responsável pela identidade visual do Plantão da Globo. A proposta era criar sensação de urgência e transmitir ao público a ideia de que algo importante havia acontecido. Donner apostou em microfones girando ao redor do planeta como metáfora para a circulação global da informação transmitida pela televisão.
Segundo Hans Donner, a vinheta foi construída para fazer o espectador “sentir o tempo parar” durante a interrupção da programação. “O microfone é o símbolo da voz, da notícia. Colocá-los orbitando o globo era transformar a informação em movimento, em energia que circula pelo mundo”, explicou o designer sobre o conceito adotado na criação visual apresentada pela Globo no início dos anos 1990.
O criador também revelou que a vinheta possui detalhes técnicos pouco percebidos pelo público. Donner afirmou que o ritmo de rotação dos microfones e os intervalos de luz foram calculados cuidadosamente para criar tensão sem comprometer a elegância visual do material. Trinta e cinco anos depois, os dez segundos do Plantão da Globo seguem associados a acontecimentos históricos e notícias de grande impacto no Brasil e no mundo.


