PROGRAMA DA GLOBO

Regina Casé relembra ataques durante o Esquenta e diz que ainda sofre consequências

Atriz afirmou que a atração se tornou alvo de uma onda conservadora, disse que a família também foi afetada e contou que Dona Lourdes ajudou em sua recuperação

Regina Casé fala durante entrevista ao Fantástico usando blusa branca e brincos de argola
Regina Casé classificou o período do Esquenta como o mais difícil (foto: Reprodução/Internet)

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Regina Casé afirmou que o período em que apresentou o Esquenta (2011-2017) foi o momento em que mais recebeu ataques ao longo da carreira. Em entrevista ao programa Sem Censura, a atriz disse que as críticas refletiam uma onda conservadora que, segundo ela, ganhou força nos anos seguintes. Ela também contou que ainda convive com consequências daquela fase.

Ao comentar a rejeição enfrentada pelo programa, Regina Casé afirmou que não considera as reações apenas uma implicância. “Não acho que foi uma implicânciazinha, não: foi latência de uma onda de um tsunami conservador que veio e que se manifestou claramente logo em seguida. Mas ali, como ainda não era expresso claramente, ninguém via, dava até impressão de que era só comigo”, declarou.

Regina Casé cita rejeição ao Esquenta

Na sequência, a atriz explicou que o perfil dos convidados do programa provocava reações negativas em parte do público. “Porque é o seguinte: se você leva assim um casal gay muito bonitinho, loirinho, com a mãe, em um programa de noite, todo mundo chora, é mais palatável”, relatou.

“Se eu levo, como eu levei, por exemplo, um casal de cortadoras de cana do sertão, que eram casadas, duas mulheres que lutavam muito pela vida de um outro jeito, aquilo causava muita rejeição. E como ninguém sabia o nome delas e via aquele tanto de preto no programa, pessoas diferentes em todos os sentidos, e já que todo preconceito e todo ódio têm que ter uma direção, eu virei um ralo para isso. Foi muito duro esse período, eu admito”, contou.

A artista afirmou ainda que os ataques também atingiram sua família. “Acho que Benedita sentiu muito, até o Roque sentiu”, disse. Em seguida, acrescentou: “Era muito violento o que a gente chama hoje de ‘hater’, e que, naquela época, ainda não conseguíamos entender. Eu ainda tenho uma herança disso, porque é uma loucura, [a quantidade de] barbaridade e mentiras [inventadas sobre mim]. É muito grave”, pontuou.

Durante a entrevista, Regina Casé contou que encontrou na dramaturgia uma forma de enfrentar aquele momento. Segundo ela, interpretar Dona Lourdes em Amor de Mãe (2019) representou um alívio. “Na época do Esquenta, chegou a um ponto que foi muito pesado, por conta desses grupos violentos e do preconceito com todas as coisas que estavam ali presentes. Hoje em dia, é mais suave. Quando você está na dramaturgia, também é, porque não é você que está ali, é [por exemplo] a Dona Lourdes”, afirmou.

“Eu digo que a dona Lourdes me ajudou muito. Quando falei: ‘Não estou aguentando mais’, ela surgiu para limpar um pouco da minha barra [risos], e dei uma respirada”, sinalizou. Ao refletir sobre a origem das críticas, a atriz afirmou que elas começaram antes mesmo do Esquenta, por causa de outros projetos voltados à periferia. “Acho que vem anterior [ao Esquenta], foi por conta de todos os trabalhos que fiz, como Central da Periferia e Minha Periferia. Aquilo gerava muito ódio e preconceito nesse tipo de grupo”, pontuou.

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