Paolla Oliveira voltou a comentar o uso indevido de sua imagem por ferramentas de inteligência artificial e afirmou que o problema vai além do impacto pessoal. Em entrevista à CNN Brasil, a atriz disse que a tecnologia tem avançado em ritmo acelerado e alertou para os riscos enfrentados por mulheres que se tornam vítimas de fotos e vídeos falsificados na internet.
Segundo Paolla Oliveira, o desejo de abordar o assunto existe há algum tempo, mas ela ainda buscava a melhor forma de iniciar o debate. “Eu já queria falar faz tempo, mas a gente não sabe nem por onde começar, né? A inteligência artificial é uma coisa que vem atropelando a gente”, afirmou durante a entrevista.
Ao refletir sobre a própria situação, Paolla Oliveira reconheceu que dispõe de recursos que muitas mulheres não possuem para enfrentar esse tipo de crime. “Eu me coloco nessa posição, eu falo: ‘Eu tenho uma condição, várias condições, aliás. Tanto de ter um advogado quanto de ter o discernimento do que sou eu, do que não é. E eu posso ir, por exemplo, a público, eu tenho um alcance de voz para falar: ‘Essa não sou eu, eu não fiz isso, não sou eu nessa situação’”, explicou.
A atriz afirmou que sua maior preocupação está na vulnerabilidade de quem não consegue contestar conteúdos falsos com a mesma facilidade. “Eu fico pensando nas pessoas que não têm esse alcance. E o quanto a mulher, agora, tem que criar uma nova estrutura de segurança e de confiança em si mesma”, declarou.
Durante a conversa, Paolla Oliveira avaliou que a sociedade enfrenta um período de adaptação diante das novas tecnologias. “É do tipo: ‘Ah, tiraram a minha roupa na internet? Não sou eu’. É uma construção nova. A gente nem terminou a construção da credibilidade vista por imagem e já estamos tendo que criar uma nova relação sobre confiança, que é realidade versus o que nem existe, que é essa inteligência artificial”, analisou.
Ao concluir, a atriz afirmou que o debate ultrapassa sua experiência pessoal e envolve uma questão social mais ampla. “Isso me veio como um incômodo sobre as minhas coisas, visto de um aspecto muito mais privilegiado do que outras pessoas. Eu me pergunto: como é que o mundo lida com isso? Talvez seja bom falar que o que toda mulher é na vida, a experiência que ela tem, a vida de verdade, tem muito valor ainda. Tem que ter”, concluiu.


