Depois de 49 anos, Globo trocará Corujão por Juliette e séries nacionais

Documentário de Juliette é aposta da Globo para turbinar audiência da madrugada (foto: Ricardo Brunini/Globoplay)
Documentário de Juliette é aposta da Globo para turbinar audiência da madrugada (foto: Ricardo Brunini/Globoplay)
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A mais antiga sessão de filmes da televisão brasileira está com os dias contados. O Corujão, no ar ininterruptamente desde 1972, deixará de fazer parte da programação diária da Globo a partir da última semana de outubro e ficará só nas madrugadas de sexta, sábado e domingo. Em 25 para 26 de outubro, a emissora estreará um novo espaço criado para aumentar a visibilidade dos conteúdos nacionais do Globoplay. As produções autorais do serviço de streaming vão ser exibidas de segunda a sexta, entre o Conversa com Bial e o Hora 1. A mudança é um reflexo do novo modelo de parceria da rede com os estúdios de cinema, que passaram a priorizar suas próprias plataformas.

Com menos filmes disponíveis e com uma sessão diária em um horário relevante para a média-dia, aferida entre 7h e meia-noite, manter a exibição diária do Corujão virou um custo desnecessário e quase impraticável. Estúdios como a Disney optaram por disponibilizar cada vez menos produções de seu acervo para as emissoras de televisão aberta e fechada, justamente para turbinar as assinaturas de seu serviço de streaming. Com isso, as redes decidiram priorizar a transmissão dos longas que sobraram em horários comerciais, com potencial para atrair anunciantes.

Nos últimos anos, foram raras as ocasiões em que o Corujão angariou patrocinadores. A sessão de filmes costuma ter seus intervalos recheados compostos apenas por propagandas da Globo e de empresas ligadas ao conglomerado, que foram batizados de “calhau” no mercado publicitário. Além disso, o espaço sequer tem horário fixo na programação. A sua exibição é dependente dos programas que o sucedem na emissora, e se tornou um bloco com a única função de alinhar a grade — ele sucede o Hora 1, que tem que estar no ar obrigatoriamente às 4h em ponto.

Em junho, TV Pop antecipou que a Globo já havia avisado para suas afiliadas que a exibição diária do Corujão não deveria ser mantida na programação de 2022. A emissora ainda sonha com uma madrugada com conteúdos quentes, mas não vê motivo para estrear um novo programa nos últimos meses do ano, tampouco em ampliar as atrações que já estão no ar. Com isso, a alternativa foi ocupar o espaço com os conteúdos já produzidos para o Globoplay.

A primeira atração da plataforma de streaming nas madrugadas da TV aberta será a primeira temporada do drama Desalma. Os dez episódios da série entram no ar em 25 de outubro, e serão substituídos pela comédia Eu, a Vó e a Boi duas semanas depois, em 8 de novembro. O seriado de Miguel Falabella ocupará a programação até o dia 15, quando a emissora planeja estrear a reapresentação de Shippados, transmitida na rede em janeiro deste ano.

O espaço também deverá ser utilizado como vitrine para as séries documentais produzidas pelo serviço. A emissora já está trabalhando na liberação de produções como Você Nunca Esteve Sozinha, que fala da trajetória de Juliette Freire, e A Vida Depois do Tombo, sobre o cancelamento de Karol Conká. Diferentemente das séries ficcionais, os conteúdos “jornalísticos” demandam uma série de novos contratos entre os envolvidos, que cederam seus direitos de imagem apenas para o streaming, e não para a TV aberta.

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