CORTES NA EDIÇÃO

Globo corta cena de violência contra mulher na reprise da novela Rainha da Sucata: “Rameira”

Emissora segue diretriz e remove sequência onde mocinho bate na protagonista; trama também sofre com edição acelerada por causa da baixa audiência

Regina Duarte como Maria do Carmo em estampa de onça e Tony Ramos como Edu de camisa listrada em cena da novela Rainha da Sucata
Maria do Carmo (Regina Duarte) e Edu (Tony Ramos) em Rainha da Sucata; Globo corta cena de violência doméstica (foto: Reprodução/Globo)

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A Globo aplicou a tesoura no capítulo de terça-feira (30) da reprise de Rainha da Sucata (1990). A emissora cortou uma sequência polêmica de violência doméstica entre os protagonistas da trama. O público não viu o momento em que Edu, vivido por Tony Ramos, agride fisicamente Maria do Carmo, papel de Regina Duarte. A cena original mostrava um tapa no rosto da empresária.

De acordo com a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a decisão segue uma diretriz interna da rede. A direção do canal determinou a exclusão de cenas com violência contra a mulher nas reexibições vespertinas. O objetivo da medida envolve evitar a normalização de atos agressivos de mocinhos contra personagens femininas, algo comum em produções antigas da teledramaturgia.

A discussão original traz diálogos fortes e ofensas pesadas entre o casal principal da história. Maria do Carmo provoca o parceiro e afirma que diversos homens desejam levá-la para a cama. Edu reage com gritos, chama a mulher de “rameira” e desfere o golpe no rosto dela. A edição atual suprimiu toda a agressão física e o desfecho violento.

A tesoura da equipe de edição também eliminou outro momento de tensão na mesma sequência. O roteiro original previa uma segunda tentativa de agressão por parte de Edu, que desiste no último instante. A Globo optou por remover qualquer menção visual ao ato para adequar o conteúdo aos padrões atuais da sociedade e da classificação indicativa do horário.

Rainha da Sucata causa estrago na programação da Globo

Além dos cortes por conteúdo, Rainha da Sucata enfrenta uma mutilação em seus capítulos por motivos comerciais. A baixa audiência registrada desde a reestreia em novembro acendeu o alerta vermelho na programação. A trama de Silvio de Abreu derrubou os índices da faixa e apresenta desempenho inferior a clássicos reapresentados no horário, como A Viagem (1994) e Tieta (1989).

A emissora condensa entre dois e três episódios originais em apenas um dia de exibição atualmente. A estratégia visa acelerar a narrativa e antecipar o término da reprise no Vale a Pena Ver de Novo. O planejamento inicial previa a permanência da obra até maio de 2026, mas o desfecho deve ocorrer agora entre março e abril deste ano.

Os números mostram a rejeição do público e preocupam a alta cúpula do canal carioca. O folhetim acumula média parcial de apenas 12,7 pontos na Grande São Paulo até o momento. Esse resultado representa o pior índice da década para o horário de reprises. O desempenho fica muito distante de sucessos como Êta Mundo Bom! (2016), que anotou 21,4 pontos em 2020.

A direção espera uma leve melhora com a virada da história para o drama nas próximas semanas. O autor Silvio de Abreu já relatou que o tom de comédia dos primeiros capítulos causou estranhamento até mesmo na exibição original de Rainha da Sucata em 1990. Contudo, a edição ágil continuará até a escolha da substituta para tentar estancar a fuga de telespectadores das tardes da Globo.

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