A Netflix afirmou que manterá uma janela de exibição de 45 dias nos cinemas dos Estados Unidos após a compra da Warner Bros. por US$ 83 bilhões. A informação foi dada pelo CEO Ted Sarandos em entrevista ao New York Times, cerca de seis semanas após o anúncio da transação, que movimentou o mercado global de mídia e entretenimento.
Com o acordo, a Netflix passa a controlar os estúdios de cinema e televisão da Warner, além de todo o conteúdo da HBO e da plataforma HBO Max. O executivo minimizou as críticas à aquisição, afirmando que as reações negativas vieram de grupos barulhentos, mas não majoritários, e que a falta de clareza inicial sobre os lançamentos em salas de cinema contribuiu para o desconforto.
Sarandos garantiu que a empresa pretende valorizar o desempenho de bilheteria e competir diretamente com estúdios tradicionais de Hollywood. “Vamos manter uma janela fixa de 45 dias nos cinemas. Nosso objetivo é competir de forma agressiva no box office”, disse, sinalizando uma mudança de postura da plataforma, que historicamente priorizou estreias diretas no streaming.
Com a fusão, a Netflix passa a ser dona de franquias de peso como Harry Potter e Batman, além de séries icônicas da HBO como Friends e Game of Thrones. A empresa informou aos acionistas que pretende integrar esses títulos ao catálogo, embora a HBO Max continue operando como serviço separado “no curto prazo”.
Segundo Sarandos, o cinema passou a ser visto internamente como um negócio mais lucrativo do que se imaginava. Ele afirmou que a Netflix nunca rejeitou o modelo de exibição em salas, mas cresceu no streaming em um ritmo que não exigia esse tipo de investimento até então. Agora, a estratégia é usar a força das bilheterias para ampliar o impacto cultural das produções e gerar novas receitas.
A aquisição também contrasta com o movimento de estúdios concorrentes, que têm cortado custos, reduzido produções e demitido equipes. Sarandos defende que a compra da Warner representa “a melhor notícia possível” para Hollywood, ao prometer ampliação no volume de lançamentos e mais investimentos em cinema e televisão.


