A Globo está sendo processada por duas ONGs de defesa animal após a exibição da série documental Vida de Rodeio, acusada de omitir informações sobre maus-tratos a animais em eventos como rodeios e vaquejadas. A ação foi ajuizada pelo Instituto Thaís Viotto e pela ONG Canto da Terra e tramita na 20ª Vara Cível de São Paulo, sob responsabilidade da juíza Elaine Faria Evaristo.
Segundo as entidades, a produção exibida pela emissora entre outubro e dezembro do ano passado promoveu um retrato incompleto da realidade desses eventos. Elas alegam que o documentário não apresentou contrapontos ou dados sobre as consequências das práticas nos animais, o que teria resultado em uma apologia indireta à violência animal. A informação é da Folha de S.Paulo.
“Vários organizadores são condenados judicialmente [por maus-tratos]. A gente quer restabelecer a verdade e que tudo seja colocado”, afirmou Thaís Viotto, fundadora do instituto que leva seu nome. Representante da Canto da Terra, a veterinária Maria Eugenia Carretero ressaltou que omissões desse tipo comprometem o direito à informação e afetam especialmente o público infantojuvenil.
As ONGs afirmaram que tentaram contato com a emissora antes de recorrer à Justiça. Um telegrama foi enviado com solicitações para ajustes na abordagem do documentário, mas teria sido ignorado. Como parte da ação, as instituições anexaram imagens e registros próprios de eventos semelhantes aos retratados pela série, buscando demonstrar a existência de maus-tratos.
“Contribui para a banalização da violência, especialmente quando tais conteúdos alcançam crianças e adolescente”, alertou Carretero. Ela defende que conteúdos como Vida de Rodeio dediquem o mesmo tempo de exibição para abordar o lado da proteção animal e decisões judiciais que envolvem essas práticas.


