O jornalista Don Lemon, ex-apresentador da CNN nos Estados Unidos, foi solto após ter sido preso durante um protesto contra o ICE, órgão de controle migratório, em Minnesota. A prisão ocorreu na noite de quinta (29), durante uma manifestação que interrompeu um culto em uma igreja em St. Paul, onde atua um pastor ligado ao ICE.
Don Lemon, que se tornou influenciador após deixar a emissora em 2023, afirmou que participava da cobertura do ato como jornalista. “Assim que o protesto começou na igreja, fizemos um ato de jornalismo, que foi reportar o ocorrido e conversar com as pessoas envolvidas”, disse ele em vídeo divulgado nas redes sociais.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, declarou que ordenou pessoalmente a prisão de Lemon e de outros três ativistas. Segundo ela, o grupo foi detido por suposto envolvimento em um “ataque coordenado” à Igreja Cities, em St. Paul. O protesto questionava a atuação do ICE e pedia o fim das políticas de repressão migratória.
Apesar da tentativa do governo de indiciar os envolvidos, o juiz responsável pelo caso optou por não incluir Don Lemon no processo formal. O jornalista foi liberado poucas horas depois de sua prisão. Ele reiterou que estava exercendo sua função e não participava da manifestação como ativista.
A CNN, sua antiga emissora, divulgou uma nota afirmando que a prisão levanta preocupações sobre a liberdade de imprensa e os direitos previstos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. “O Departamento de Justiça já falhou duas vezes ao tentar obter um mandado de prisão contra Don e vários outros jornalistas em Minnesota, onde o juiz-chefe do Tribunal Federal do Distrito de Minnesota concluiu que não havia ‘nenhuma evidência’ de qualquer comportamento criminoso envolvido no trabalho deles”, diz a nota.
“A Primeira Emenda dos Estados Unidos protege jornalistas que testemunham fatos e acontecimentos à medida que se desenrolam, garantindo que possam informar livremente no interesse público, e as tentativas do Departamento de Justiça de violar esses direitos são inaceitáveis. Estaremos acompanhando este caso de perto”, pontuou.


