Halle Berry, vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 2002 por A Última Ceia, afirmou que a conquista da estatueta não representou uma mudança significativa em sua carreira. Em entrevista ao site The Cut, a atriz disse que a indústria continuou resistindo à escalação de mulheres negras em papéis principais. “Embora eu estivesse extremamente orgulhosa disso, eu ainda era negra naquela manhã seguinte”, declarou.
A atriz detalhou a expectativa frustrada após a premiação. “Depois que ganhei, pensei que ia aparecer um caminhão com roteiros na porta da minha casa”, contou. No entanto, segundo Halle Berry, os diretores ainda relutavam em escalar mulheres negras, temendo que isso exigisse mudanças no restante do elenco. “Aí vira um filme negro. Filmes negros não vendem no exterior”, relatou, citando frases que ouviu no período.
A declaração de Halle Berry ecoa relatos semelhantes de outras atrizes premiadas. Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar por 12 Anos de Escravidão (2014), também disse que esperava receber papéis principais após o prêmio. Em vez disso, passou a receber convites repetitivos: “Gostaríamos que você fizesse outro filme em que você é uma escrava, mas desta vez em um navio negreiro”, contou na época.
Em A Última Ceia, Halle Berry interpretou Letícia, uma mulher negra que perde o marido, condenado à morte, e vive um relacionamento com um ex-policial racista, papel de Billy Bob Thornton. O longa também contou com Heath Ledger, Sean Combs e Yasiin Bey. A produção recebeu elogios e rendeu a artista o único Oscar de Melhor Atriz já conquistado por uma mulher negra até hoje.


