A estratégia da Globo de reduzir os preços do Premiere, seu serviço de pay-per-view esportivo, levou o canal a atingir o maior número de assinantes desde a criação da plataforma. Com cerca de 3 milhões de clientes ativos, o Premiere encerrou 2025 em alta, impulsionado por promoções agressivas e pela popularidade de clubes com grande torcida, como Flamengo e Palmeiras.
Segundo a Folha de S.Paulo, apenas no último trimestre do ano passado, o Premiere ganhou cerca de 250 mil assinantes, beneficiado por uma campanha especial de Black Friday e pelo novo modelo de preços praticado desde o ano anterior. Atualmente, o pacote mensal custa R$ 59,90 pelo Globoplay, enquanto o plano anual tem valor equivalente a R$ 29,90 por mês, bem abaixo dos R$ 110 mensais cobrados até 2018.
A migração para o modelo direct-to-consumer (D2C), ou seja, com venda direta pela Globo, também foi fundamental para o barateamento da assinatura. Anteriormente, o Premiere era majoritariamente vendido por operadoras de TV paga, que incluíam taxas adicionais e dificultavam a competitividade do serviço no ambiente digital.
Com o avanço da tecnologia e maior adesão ao streaming esportivo, a emissora apostou em ampliar a base em vez de manter preços elevados. A estratégia se mostrou eficaz. Apesar do avanço expressivo, a Globo ainda sofre com a pirataria. Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globo, afirmou que, para cada cinco pessoas que consomem conteúdo do Premiere, apenas uma é assinante. O cálculo interno estima que a pirataria causa uma perda de R$ 500 milhões anuais, o que impediria o faturamento de ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão.
“A gente vive uma situação endêmica no Brasil em relação à pirataria“, afirma Belmar. “Nossa capacidade de oferecer preço cada vez mais baixo tem um limite. Eu não tenho condição, com o preço dos direitos esportivos, de oferecer isso sem cobrar nada. É impossível”, disse o executivo.


