Os funcionários da Televisão dos Trabalhadores, a TVT, iniciaram greve às 8h desta sexta-feira (06), em frente à sede da emissora, na Avenida Paulista, em São Paulo. A paralisação ocorreu durante negociações do acordo coletivo e levou a emissora a anunciar a contratação de freelancers para manter a grade no ar. O movimento reuniu jornalistas e outros profissionais do quadro fixo da empresa.
A TVT é financiada pelos sindicatos dos Bancários de São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC, entidade que já foi presidida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as pautas, os trabalhadores pedem reajuste do vale-refeição para R$ 35 e o pagamento do benefício durante as férias. Eles afirmam que o valor atual não cobre despesas de alimentação na região da Paulista. A direção da emissora declarou ter chegado a R$ 34 e disse não ter condições de estender o benefício ao período de descanso.
Apesar do debate financeiro, o principal ponto de atrito envolve a criação de estabilidade de quatro anos para um representante interno em causas trabalhistas. Segundo os funcionários, a medida permitiria cobrar transparência e mudanças estruturais sem risco de demissão. A TVT afirma que já conta com uma dirigente sindical estável e diz que não é possível ampliar esse modelo.
“A gente ficou muito surpreso que eles falaram: ‘Não, já tem um representante sindical, não precisa de um representante da TV’. Sendo que são coisas completamente diferentes e eles sabem porque é uma TV mantida por dois sindicatos e que tem pessoas na gestão que foram sindicalistas”, afirmou a repórter da emissora Girrana Rodrigues, representante sindical.
O presidente da TVT, Maurício Júnior, afirmou que em anos anteriores os trabalhadores se organizaram sem estabilidade formal e não houve prejuízo. “Nunca precisou de estabilidade para conversar com a gente. A solicitação de quatro anos de estabilidade, para mim, não cabe”, disse ao Metrópoles, ao mencionar a proximidade entre as propostas sobre o vale-refeição.
A emissora tem 43 funcionários contratados pelo regime CLT e 15 como pessoas jurídicas. Os grevistas também questionam suposto desvio de função de analistas de redes sociais, que exerceriam atividades jornalísticas com salários inferiores ao piso. A direção nega irregularidades.


