A ex-deputada federal Joice Hasselmann cumpriu uma determinação judicial na última semana. Ela depositou o valor de R$ 10 mil referente a uma indenização por danos morais à Jovem Pan. O pagamento encerra um processo iniciado após a jornalista chamar a emissora de “lixo” em uma entrevista ao podcast Inteligência Ltda. A empresa solicitou o cumprimento da sentença em janeiro.
O caso começou com declarações polêmicas feitas em junho de 2022. Na ocasião, Joice Hasselmann criticou duramente a linha editorial do canal de notícias durante a conversa. “Eu trabalhei na Jovem Pan quando ela era Jovem Pan, não esse lixo que virou, puxa-saco de governo, que lambe o pé de Bolsonaro. Eles fizeram isso para conseguir a TV e conseguiram”, disparou.
Além disso, a ex-deputada sugeriu que recebeu orientações para não criticar o governo de Michel Temer (2016-2018). Ela afirmou que recusou tal diretriz durante sua passagem pela empresa entre 2017 e 2018. “Amansar para mim é pior do que me demitir. Eu falei: ‘Não, eu não vou fazer isso, tenho contrato de liberdade'”, disse a jornalista na época. As informações são da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo.
Disputa nos tribunais
A Jovem Pan processou a antiga funcionária na Justiça de São Paulo. A emissora usou dados de audiência para refutar as críticas e anexou reportagens comparativas com a GloboNews. “A criação de uma televisão fechada independe de qualquer relação com o governo. Portanto, a ré fez uma imputação falsa, irresponsável e até ignorante”, defendeu o canal no processo.
Em resposta, a defesa de Joice Hasselmann questionou o argumento de ofensa moral alegado pela empresa. “Se a requerente ficou tão ofendida com as falas proferidas pela requerida, deveria ter ajuizado ação de danos morais contra todas as páginas que veicularam informações sobre a ligação da rádio com o governo federal na gestão de Bolsonaro”, disseram os advogados nos autos.
Embora tenha vencido na primeira instância, Joice Hasselmann sofreu uma derrota posterior. A Jovem Pan conseguiu reverter a decisão no Tribunal e manteve a condenação no STJ. O ministro Raul Araújo relatou o caso na 4ª Turma em setembro do ano passado e negou o recurso por unanimidade. Com isso, a ex-deputada realizou o pagamento para encerrar a disputa judicial.


