REGRAS NA SAPUCAÍ

Globo teme propaganda política e impõe ordem interna para desfile sobre Lula

Emissora orienta apresentadores e cinegrafistas para evitar problemas com a Justiça Eleitoral durante homenagem da Acadêmicos de Niterói neste domingo (15)

Milton Cunha sorri e gesticula no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o carnavalesco usa paletó preto com paetês e detalhes dourados, ao fundo a Apoteose
Milton Cunha na Marquês da Sapucaí; Globo adota regras para transmissão de desfile que vai homenagear Lula (foto: Globo/Fábio Rocha)

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A transmissão do Carnaval 2026 na Globo terá um esquema especial de segurança editorial durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, neste domingo (15). A escola de samba homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu enredo na Marquês de Sapucaí. Para evitar problemas com a Justiça, a emissora criou um protocolo rígido destinado a jornalistas e técnicos envolvidos na cobertura ao vivo.

Segundo informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a direção da emissora busca impedir qualquer caracterização de propaganda política. Procurada, a Globo limitou-se a confirmar a exibição na íntegra dos desfiles de São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, o canal garantiu a cobertura completa das apurações, previstas para ocorrerem nesta terça (17) e quarta-feira (18).

A publicação apurou que existem três diretrizes fundamentais para a equipe. A primeira regra determina a ação dos cinegrafistas e coordenadores de imagem. Caso ocorram manifestações políticas explícitas na avenida, o corte de câmera deve priorizar imediatamente um plano geral. O objetivo é mostrar as alas da agremiação de forma ampla, sem focar em faixas ou gestos isolados de apoio partidário.

Protocolo e orientações da Globo

Outra orientação afeta diretamente o trabalho dos repórteres na pista e na arquibancada. A ordem exige sobriedade absoluta nas intervenções sobre o enredo e nas entrevistas. Os profissionais devem concentrar suas perguntas em detalhes artísticos, como alegorias e fantasias. A direção proibiu conversas com populares que demonstrem intenção de usar o microfone da emissora para exprimir posições políticas ou partidárias.

A terceira norma recai sobre os apresentadores Alex Escobar, Mariana Gross, Milton Cunha e Karine Alves. A cúpula da Globo solicitou que todos estudem profundamente a biografia de Lula, mas mantenham o tom moderado. Eles não podem fazer comentários que soem como empolgação pessoal ou partidária ao narrar a história do presidente. A mesma regra de neutralidade vale para as redes sociais.

Internamente, o canal vive um misto de expectativa por alta audiência e receio jurídico. Partidos adversários ao PT podem alegar propaganda eleitoral antecipada, embora o TSE tenha negado, na última quinta-feira (12), um pedido do Partido Novo para barrar o desfile. A Justiça Eleitoral considerou a solicitação uma tentativa de censura prévia, o que garante a apresentação da escola no horário nobre.

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