A Globo enviou um documento com orientações rigorosas para as suas mais de 120 afiliadas espalhadas pelo país nesta semana. A empresa exige total imparcialidade na cobertura do atual período pré-eleitoral. Com uma política interna classificada como tolerância zero, a direção da rede alerta que denúncias de propaganda para candidatos resultarão no encerramento dos contratos de parceria com as emissoras locais.
De acordo com a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, o diretor de jornalismo da rede, Ricardo Villela, assina o memorando. O executivo estabelece a padronização nacional da cobertura, com base nos princípios éticos da empresa. Para garantir o cumprimento das normas, uma equipe específica vai monitorar e fiscalizar o conteúdo local, com o objetivo de vetar reportagens fora dos limites aceitáveis.
O alerta interno também menciona os riscos jurídicos da parcialidade. A matriz destaca que eventuais infrações eleitorais geram multas financeiras severas tanto para a afiliada quanto para a cabeça de rede, em conformidade com as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Por causa disso, algumas parceiras demonstraram bastante apreensão, já que políticos ou familiares administram diversas administrações regionais vinculadas à marca.
Punições recentes da Globo servem de alerta
Nos corredores da empresa, a mensagem de advertência soa de forma muito clara. As diretorias que descumprirem as orientações podem sofrer o mesmo destino da TV Gazeta, de Alagoas, e da TV Fronteira, de Presidente Prudente (SP). Os executivos não renovaram os acordos com ambas as companhias recentemente exatamente por causa de desvios éticos com foco em disputas políticas.
A direção da Globo comunicou o rompimento com a estação alagoana em outubro de 2023. A decisão ocorreu em virtude de denúncias de esquemas de corrupção com a participação do proprietário, o ex-presidente Fernando Collor. O canal local serviu para promoção pessoal do político e ataques contra adversários, cenário que motivou a rescisão que posteriormente foi confirmada pela Justiça.
A situação do canal do interior paulista seguiu um roteiro semelhante de irregularidades. A matriz recusou a manutenção do contrato em resposta às atitudes de Paulo Oliveira Lima, presidente do grupo proprietário da concessão. A Globo comprovou que o empresário usou os telejornais locais de forma indevida para alavancar sua própria imagem pública com a intenção de se eleger prefeito.


