DECISÃO JUDICIAL

Jovem Pan é condenada a pagar R$ 30 mil aos pais de estudante morto por PMs

Justiça de São Paulo determina indenização e direito de resposta após declarações feitas no Morning Show sobre estudante morto em 2024

Apresentador André Marinho veste camisa azul marinho sobre camiseta branca, usa colar e posa em frente a torres de transmissão sob um céu roxo de fim de tarde
André Marinho no Morning Show; Jovem Pan foi condenada a indenizar pais de jovem morto por PMs (foto: Reprodução)

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A Jovem Pan foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 30 mil de indenização aos pais do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, morto após levar um tiro à queima-roupa disparado por policiais militares em novembro de 2024. A decisão cabe recurso. A família havia solicitado R$ 70 mil em ação apresentada na 30ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Segundo a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, Silvia Monica Cardenas Prado e Julio Cesar Acosta Navarro afirmaram no processo que a emissora ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao apresentar acusações que consideram infundadas sobre o filho durante a cobertura do caso.

Na ocasião, durante o programa Morning Show, o então apresentador André Marinho afirmou que o estudante estaria “visivelmente sob efeito de alguma coisa” e que “tentou tirar a arma do policial”, além de desferir chutes contra os agentes. Porém, de acordo com os autos do processo, essas situações não ocorreram.

O homicídio aconteceu em 20 de novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Imagens das câmeras corporais dos policiais indicam que o episódio começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura que passava pela Rua Cubatão e correu para dentro de um hotel onde estava hospedado com uma amiga.

Os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado seguiram o estudante, o levaram para a rua e efetuaram um disparo. Guilherme foi o autor do tiro. Marco Aurélio chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Os dois policiais respondem ao processo em liberdade, alegam inocência e devem ser julgados por júri popular.

Na decisão, a juíza Priscila Bittar Neves afirmou que laudos e imagens anexados ao processo desmentem as declarações exibidas na programação da emissora. “Trata-se de constrangimento significativo, que ultrapassa os limites da normalidade, atingindo a honra e a dignidade dos autores, configurando dano moral indenizável”, declarou.

A sentença também determinou direito de resposta no Morning Show. “Depois de muito tempo, a verdade começa a chegar. É a primeira vitória após macularem a imagem e a vida do meu filho. Essa é a minha mensagem para um pouco de justiça que se começa a fazer”, disse Julio Cesar Acosta. A Jovem Pan afirmou que não comenta ações judiciais.

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