A Justiça do Rio de Janeiro determinou o arquivamento do processo movido pela família de Manoel Carlos (1933-2026) contra a Globo. A emissora apresentou documentos com a prestação de contas sobre pagamentos ligados a reprises, reexibições e licenciamentos das novelas do autor. Com isso, a pendência judicial foi encerrada após a empresa informar que atendeu às solicitações feitas pela família.
Conforme a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, o caso tramitava na 21ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O arquivamento ocorreu na quinta-feira (5), após a Globo comunicar à Justiça que cumpriu o que havia sido solicitado no processo. A emissora afirmou que apresentou todos os detalhes necessários sobre os pagamentos relacionados às obras criadas por Manoel Carlos.
Filhas pediam transparência na prestação de contas
A ação havia sido aberta em setembro de 2025, antes da morte do novelista. O processo foi movido pela empresa Boa Palavra, criada pela atriz Júlia Almeida, filha de Manoel Carlos, para administrar o legado e os direitos das obras do autor. Procuradas para comentar o desfecho do caso, nem a Globo nem a Boa Palavra responderam aos contatos da publicação.
Na ação, a Boa Palavra alegava que não tinha acesso detalhado aos valores pagos pela emissora referentes às produções criadas pelo novelista. A empresa afirmava que não sabia exatamente quanto recebia pelos direitos das obras exibidas pela Globo e questionava a falta de transparência na prestação de contas relacionada às produções do autor.
Globo apresenta documento com pagamentos
Em fevereiro, cerca de um mês após a morte de Manoel Carlos, a Globo apresentou um documento com a descrição dos valores pagos por reprises, reexibições e licenciamentos de novelas. Entre os pontos citados, está a produção de um remake de Páginas da Vida (2006) em Portugal, com acordo para que o escritor seja creditado como autor da obra original.
Nos últimos anos, as filhas de Manoel Carlos, Júlia Almeida e Maria Carolina, responsáveis pela administração do legado do autor, afirmaram considerar que a Globo não foi justa com o pai na fase final da carreira. A avaliação ganhou força após o desempenho de audiência de Em Família (2014) e pela forma como homenagens, como o documentário Tributo (2022), foram conduzidas pela emissora.


