DIREITOS AUTORAIS

Band sofre derrota na Justiça e tem 15 dias para quitar dívida de R$ 78,4 milhões

Decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo envolve débitos acumulados desde 2020 pela emissora

Fausto Silva aponta para frente enquanto segura microfone, veste jaqueta verde escura sobre blusa azul, usa relógio de pulso no palco do Faustão na Band
Fausto Silva no Faustão na Band; emissora recebe cobrança milionária de direitos autorais de músicas (foto: Band/Renato Pizzutto)

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O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) acionou a Justiça para cobrar uma dívida de R$ 78,4 milhões da Band referente a direitos autorais. Em decisão, o juiz Fernando Antônio Tasso, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), estabeleceu que a rede realize o pagamento do montante em até 15 dias. O imbróglio envolve a execução pública de músicas em diversas atrações da grade da emissora.

A cobrança ocorre desde setembro de 2024, mas os débitos remontam ao ano de 2020. Segundo o órgão, a falta de repasses atinge trilhas de programas esportivos e do extinto Faustão na Band (2022-2023). Procurada pela coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a emissora afirmou que não comenta casos judiciais. Já o Ecad declarou que apenas cumpre a legislação.

O órgão de arrecadação sustenta que os valores constam em uma confissão de dívida não quitada e em contratos de licenciamento firmados anteriormente com a Band. Diante deste cenário, a Justiça reconheceu a validade da cobrança. No último dia 11, o Ecad protocolou o pedido de cumprimento de sentença, medida que recebeu o aval imediato do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Em sua defesa, a Band apresentou recurso contra a decisão por considerar os valores distantes da realidade do mercado televisivo. A emissora alega que não houve justiça por parte da entidade durante as negociações. Caso a contestação não prospere, a Justiça poderá autorizar a penhora das contas oficiais da empresa para garantir a satisfação do débito milionário.

SBT já teve problema semelhante ao da Band

Situações parecidas envolvendo trilhas sonoras atingiram outros players da TV aberta recentemente. No ano passado, o SBT enfrentou restrições para utilizar obras de artistas da gravadora Sony em sua programação. Na ocasião, a emissora de Osasco reagiu juridicamente e acusou as empresas do setor fonográfico de atuarem sob a forma de cartel.

O Ecad monitora a execução pública de músicas em todo o Brasil, desde emissoras de rádio e TV, até plataformas de streaming, bares e shows. A entidade arrecada valores dos usuários que utilizam essas obras e distribui os rendimentos para associações de música, que repassam o dinheiro aos compositores, intérpretes e músicos. Esse sistema garante que os criadores recebam a remuneração devida pelo uso de suas propriedades intelectuais.

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