Executivos da Netflix vieram a público para rebater declarações recentes de Matt Damon sobre a forma como roteiros são desenvolvidos para produções de streaming. O ator afirmou que plataformas estariam exigindo repetições constantes da trama para manter a atenção do público.
A fala aconteceu durante a divulgação do longa-metragem Dinheiro Suspeito, no podcast The Joe Rogan Experience. Segundo o artista, essa prática estaria relacionada ao hábito de parte dos espectadores de utilizar o celular enquanto assistem aos conteúdos, o que exigiria reforços narrativos frequentes.
A discussão ganhou ainda mais visibilidade após ser alvo de humor no Oscar, em uma esquete com Conan O’Brien e Sterling K. Brown que parodiava o clássico Casablanca (1942), ironizando a suposta necessidade de explicar a história repetidamente. Durante um evento oficial da Netflix, o chefe de filmes da plataforma, Dan Lin, negou diretamente a acusação.
“Não existe esse princípio. Na verdade, todos nós rimos quando vimos aquela parte no Oscar, mas não existe esse princípio. Quer dizer, se você assistir aos nossos filmes ou séries, verá que não repetimos os enredos. Não sei de onde surgiu esse comentário. Estamos focados apenas em fazer ótimos filmes. Não existe nenhuma fórmula ou procedimento”, declarou.
A executiva Bela Bajaria também se posicionou, defendendo os profissionais da indústria e criticando a ideia. “Acho muito ofensivo para os criadores e cineastas pensar que daríamos a eles uma instrução como essa e eles simplesmente a aceitariam. Quem odeia vai odiar e as pessoas vão inventar coisas”, afirmou.
A vice-presidente de séries dramáticas, Jinny Howe, reforçou que a Netflix reconhece a exigência do público e não busca simplificar narrativas de forma artificial. “Levamos muito a sério o fato de não estarmos tentando simplificar demais as coisas, e sim garantir que o público saiba que o conteúdo é para ele, e o público é muito exigente“, declarou.


