A Globo divulgou aos seus funcionários no final da tarde desta terça-feira (24) o seu balanço financeiro do último trimestre de 2025. A emissora cresceu em praticamente todos os indicadores na comparação com o período homólogo do ano anterior, mas teve uma retração significativa em um índice relevante: a receita (valor total recebido pela empresa, desprezando custos de produção e de manutenção) das plataformas do conglomerado, como canais por assinatura e plataformas de streaming, caiu R$ 100 milhões em um intervalo de apenas 12 meses.
Em seu extenso comunicado para os colaboradores da empresa, Paulo Marinho festejou um aumento de 33% no número de assinantes do Globoplay e de 32% na plataforma Premiere Play, com exibição de jogos exclusivos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. O diretor-presidente da Globo, no entanto, não fez nenhuma menção aos diversos canais da empresa na televisão por assinatura, tampouco aos conteúdos vendidos ao mercado internacional — as histórias produzidas pela rede tem perdido cada vez mais espaço para novelas turcas em televisões estrangeiras.
R$ 100 milhões podem parecer pouco diante da grandiosidade dos demais números, mas são um valor considerável na comparação com a realidade de outras redes de TV aberta. É mais do que foi arrecadado por todo o SBT nos últimos dois anos, por exemplo. Em 2024, no primeiro ano de administração de Daniela Beyruti, a terceira colocada do ranking de audiências conseguiu ter um lucro de R$ 33,760 milhões. O montante representou uma alta na comparação com 2023, último ano de administração de Silvio Santos (1930-2024), em que a rede embolsou R$ 31,105 milhões.
De acordo com o comunicado disparado pela Globo, obtido em primeira mão pelo TV Pop, a receita obtida com conteúdo, programação e assinaturas encolheu de R$ 1,4 bilhão no 4º trimestre no último trimestre de 2024 para R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2025, uma queda de 4%. A emissora explica que a métrica é como “uma soma que inclui receitas relacionadas a conteúdo e a programação, como programação de televisão paga, assinantes de OTT e vendas de programas para o exterior”.
Considerando todo o último ano, a Globo teve uma receita de conteúdo de R$ 5,3 bilhões, um resultado 4% maior que o obtido em 2024. Apesar disso, essas receitas perderam importância nos valores totais: em 2024, a arrecadação obtida com streamings, vendas e canais por assinatura representava 31% das receitas do grupo. Em 2025, foram apenas 29%. A tendência é de que a rede encolha ainda mais neste quesito em 2026, já que no último trimeste a porcentagem foi ainda menor — este quesito representou apenas 26% das receitas do conglomerado.
Globo dispara com venda de publicidade
Mesmo com a queda de receitas de VOD, comercialização de conteúdo para o exterior e canais por assinatura, a Globo conseguiu um 2025 invejável por conta da arrecadação obtida com várias formas de publicidade em sua programação. Em 2024, a rede teve uma receita publicitária de R$ 10,9 bilhões. Este valor cresceu 15% ao longo do último ano, que acumulou uma arrecadação de R$ 12,5 bilhões, valor equivalente à 69% das receitas do conglomerado.
No entanto, para chegar a este valor, a emissora também precisou abrir o seu cofre mais do que nunca. Apenas no último ano, a empresa desembolsou R$ 15,8 bilhões, montante que já leva em consideração todos os gastos e despesas do conglomerado, como salários de colaboradores, condenações judiciais, manutenção de prédios e equipamentos, aluguéis, verbas de suas produções, premiações de programas exibidos em suas plataformas e direitos de transmissão de filmes, séries e campeonatos esportivos. Em 2024, a rede havia tido “apenas” R$ 14,9 bilhões de gastos.
A tendência aqui também é de encolhimento — ou seja, a Globo passará a gastar cada vez menos. No último trimestre de 2025, como destacado por Paulo Marinho, a rede teve um desembolso de R$ 4,1 bilhões com seus custos, uma queda de R$ 100 milhões na comparação com o período homólogo de 2024. Segundo o executivo, isso é fruto de “uma gestão responsável e integração de novos negócios”.
O EBITDA, métrica financeira que leva em consideração o lucro operacional de uma empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, da Globo também deu um salto em 2025, indo de R$ 1,6 bilhão para R$ 2,5 bilhões, uma alta de 57%. O comparativo fica ainda mais assustador quando considerado apenas o último trimestre de cada ano, em que o conglomerado conseguiu um incremento de 571% no indicador, saltando de R$ 154 milhões para R$ 1 bilhão.
Nem tudo são flores
No encerramento de seu comunicado, Paulo Marinho fez um alerta para os colaboradores da Globo, sinalizando que o ano de 2026 não deverá ser fácil para a companhia. “Os últimos anos têm sido cada vez mais desafiadores e dinâmicos, marcados por transformações aceleradas no mercado e por uma concorrência cada vez mais acirrada e global. Em mais um ano, nós investimos em conteúdo original de qualidade, ampliando nossa relevância no Brasil e no mundo, com destaques em premiações internacionais”, sinalizou o diretor-presidente do conglomerado.
“Nós seguimos evoluindo também na diversificação de negócios de forma consistente, tanto nos já consolidados quanto em novos investimentos, que fortalecem nosso posicionamento a longo prazo. Esses números reforçam nossa capacidade de atrair, engajar e reter audiência em um ambiente cada vez mais competitivo. Nos novos negócios, os resultados da Eletromidia contribuíram para diversificar receitas e ampliar nossa presença em mercados complementares”, prosseguiu ele, que cita que a rede já está em busca de mais oportunidades para diversificar seu portfólio.
“Atentos às novas dinâmicas e ao comportamento do consumidor, investimos em novos formatos, como as novelas verticais, e lançamos a GE TV, expandindo nosso ecossistema e mirando uma próxima fase de crescimento orientada pela inovação. A disciplina na gestão de custos e a busca frequente por eficiência operacional também foram fundamentais para nosso desempenho. Em um cenário em que a indústria enfrenta pressão cada vez maior sobre as margens, olhar para nossa atuação com uma perspectiva responsável é fundamental”, continuou o executivo.
Por fim, Paulo Marinho comemorou a capacidade adaptativa da Globo ao novo cenário de mídia. “Encerramos 2025 com resultados positivos, ao mesmo tempo em que nos preparamos para um 2026 que se apresenta tão desafiador quanto os anos anteriores. O avanço dos players globais, as transformações no mercado de esportes e a chegada de novos formatos de distribuição exigem que sigamos atentos, ágeis e inovadores”, disse ele.
“Para reforçar nossa competitividade, seguiremos investindo em conteúdos estratégicos e em iniciativas que nos diferenciem e nos mantenham conectados aos brasileiros. A nossa capacidade de adaptação é uma grande fortaleza para avançarmos rumo aos nossos objetivos e o papel de todos permanece sendo fundamental para construirmos esse futuro”, concluiu o executivo, que ainda aproveitou para salientar que os resultados contaram justamente com um empurrão da Eletromídia, que teve seu controle assumido pelo conglomerado em novembro de 2024.
Líder em marketing out-of-home, a Eletromídia teve receita de R$ 1,19 bilhão em 2024, o seu último ano sem a Globo como acionista majoritária. É um negócio que está crescendo sem parar: em 2023, a empresa teve uma receita de R$ 1,048 bilhão, tendo um crescimento de 20% na comparação com 2022. Em todo território nacional, já estão instalados cerca de 70 mil painéis da empresa, sendo que 75% deles já são operados virtualmente — a companhia também cuida de inventários de mobiliário urbano analógico, como paradas de ônibus e estações de transporte metropolitano.
A seguir, confira a íntegra do comunicado de Paulo Marinho para os colaboradores da Globo:
Os últimos anos têm sido cada vez mais desafiadores e dinâmicos, marcados por transformações aceleradas no mercado e por uma concorrência cada vez mais acirrada e global. Diante desse contexto, mantivemos nosso foco em equilibrar disciplina de custos com novas receitas e, com isso, encerramos 2025 com resultados financeiros importantes.
Em mais um ano, investimos em conteúdo original de qualidade, ampliando nossa relevância no Brasil e no mundo, com destaques em premiações internacionais. Seguimos evoluindo também na diversificação de negócios de forma consistente, tanto nos já consolidados quanto em novos investimentos, que fortalecem nosso posicionamento a longo prazo.
A expansão do nosso portfólio de conteúdo ampliou as fontes de receita, especialmente no digital. O Globoplay registrou um crescimento de 33% na base de assinantes no último trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o Premiere Play evoluiu 32%. Esses números reforçam nossa capacidade de atrair, engajar e reter audiência em um ambiente cada vez mais competitivo.
Na frente de novos negócios, os resultados da Eletromidia contribuíram para diversificar receitas e ampliar nossa presença em mercados complementares. Atentos às novas dinâmicas e ao comportamento do consumidor, investimos em novos formatos, como as novelas verticais, e lançamos a Ge TV, expandindo nosso ecossistema e mirando uma próxima fase de crescimento orientada pela inovação.
A disciplina na gestão de custos e a busca frequente por eficiência operacional também foram fundamentais para nosso desempenho. Em um cenário em que a indústria enfrenta pressão cada vez maior sobre as margens, olhar para nossa atuação com uma perspectiva responsável é fundamental para avançamos de forma sustentável.
Nossos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025 registraram uma receita líquida de R$ 5,2 bilhões, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto os custos totais atingiram R$ 4,1 bilhões, uma redução de 2% em relação ao ano anterior, sustentada por uma gestão responsável e integração de novos negócios.
A receita líquida do ano de 2025 foi de R$ 18,3 bilhões, um aumento de 11% em relação a 2024. Já os custos totais somaram R$ 15,8 bilhões, um crescimento de 7% em relação a 2024.
O EBITDA atingiu R$ 2,5 bilhões em 2025, representando um crescimento de 57% e uma margem de 13%. Esses resultados destacam o compromisso da Globo com o crescimento sustentável, a diversificação de receitas e execução disciplinada.
Encerramos 2025 com resultados positivos, ao mesmo tempo em que nos preparamos para um 2026 que se apresenta tão desafiador quanto os anos anteriores. O avanço dos players globais, as transformações no mercado de esportes e a chegada de novos formatos de distribuição exigem que sigamos atentos, ágeis e inovadores. Para reforçar nossa competitividade, continuaremos investindo em conteúdos estratégicos e em iniciativas que nos diferenciem e nos mantenham conectados aos brasileiros.
Nossa capacidade de adaptação é uma grande fortaleza para avançarmos rumo aos nossos objetivos e o papel de todos permanece sendo fundamental para construirmos esse futuro.
Os resultados financeiros aqui divulgados consideram também os números da Eletromidia. Juntos pelo nosso resultado.
Paulo Marinho
Diretor-presidente da Globo


