A crise provocada pelo PowerPoint do Estúdio i dinamitou a audiência da GloboNews: com a credibilidade arranhada depois do infográfico impreciso sobre o caso do banqueiro Daniel Vorcaro, o canal de notícias da Globo perdeu uma parcela significativa de seus telespectadores, que migraram para a CNN Brasil. Pela primeira vez na história, a emissora da família Menin fechou um mês na primeira colocação dos noticiosos na televisão por assinatura, segundo dados consolidados do Ibope, obtidos pela reportagem do TV Pop com fontes do mercado.
Ao decorrer dos 31 dias de março, a CNN Brasil conquistou 11,1 milhões de telespectadores únicos no Painel Nacional de Televisão, métrica que leva em consideração os números aferidos nas 15 principais regiões metropolitanas do país, considerando exclusivamente o público da televisão por assinatura, em que as duas redes competem de igual pra igual. A GloboNews, que comemorará três décadas no ar em outubro, teve apenas 2% mais público que a rival. As regras matemáticas de arredondamento, portanto, sentenciam um empate técnico entre as duas TVs na liderança.
O momento delicado enfrentado pelo canal de notícias da Globo fica ainda mais explícito quando o desempenho atual das redes é confrontada com os índices obtidos há um ano. A performance da CNN Brasil teve um increento de 25% entre março de 2025 e março de 2026, pulando do terceiro lugar dos canais de notícias da TV por assinatura (a Jovem Pan era vice-líder) para a liderança, ainda que nos critérios de arredondamento adotados pelo Ibope. A GloboNews, por sua vez, viu o seu público encolher 12% no mesmo período.
Em 2025, a rede da família Menin já havia sido o canal de notícias mais assistido do país, mas através da soma da contabilização de suas audiências em todas as plataformas televisivas — além da TV por assinatura, a CNN Brasil também está disponível na Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Prime Vídeo, YouTube e na parabólica digital, enquanto a GloboNews está apenas na TV paga e no Globoplay.
É a primeira vez na história em que as duas redes dividem a liderança quando avaliados apenas os índices de ibope da TV por assinatura, argumento até então usado pela Globo para defender a manutenção da GloboNews como o canal de notícias mais assistido do país. Para a emissora, o compilado de dados da CNN Brasil tornava a disputa desigual, já que a rival levava vantagem pela sua distribuição híbrida — agora, não há nenhuma justificativa que sustente a narrativa do conglomerado.


