VIOLÊNCIA DIGITAL

Influenciadora trans expõe mensagens de ódio que recebe todos os dias na internet

Suellen Carey reuniu mensagens transfóbicas recebidas no Instagram para marcar o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia

Suellen Carey com cabelo loiro e batom vermelho em montagem com duas fotos de close do rosto para ensaio fotográfico
Suellen Carey relatou mensagens transfóbicas que recebe diariamente nas redes sociais (fotos: Divulgação)

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A influenciadora trans Suellen Carey decidiu expor comentários ofensivos que recebe diariamente nas redes sociais. A ação aconteceu para marcar o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, celebrado em 17 de maio. Natural de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e morando atualmente em Londres, no Reino Unido, ela afirmou que os ataques virtuais passaram a fazer parte da própria rotina na internet.

Entre as mensagens divulgadas por Suellen Carey aparecem frases como “machão”, “isso é homem” e “quem é esse macho?”. Os comentários também ironizam a aparência e a identidade de gênero da influenciadora. Segundo ela, publicar os prints foi uma maneira de mostrar como a violência contra pessoas trans se tornou recorrente no ambiente digital e passou a ser tratada com naturalidade por parte dos usuários das plataformas.

“As pessoas acham que comentário online não machuca porque existe uma tela separando tudo. Mas quando você lê isso constantemente, entende como o ódio foi normalizado na internet”, afirmou Suellen Carey. A influenciadora relatou que decidiu reconstruir a vida fora do Brasil após enfrentar episódios de violência e transfobia. Mesmo vivendo no exterior, ela afirmou que a hostilidade continuou presente por meio das redes sociais.

Suellen Carey relata desgaste emocional causado por ataques

A influenciadora afirmou que o impacto emocional não acontece apenas por mensagens isoladas, mas pela repetição diária dos ataques recebidos. “Existe uma agressividade muito grande escondida em comentários que muita gente ainda tenta tratar como brincadeira. As redes sociais também viraram espaço para a transfobia digital”, declarou. Segundo Suellen Carey, há dias em que ela já espera encontrar novos comentários ofensivos assim que acessa o Instagram.

“Tem dias que eu abro o Instagram já sabendo exatamente o tipo de comentário que vou encontrar. O problema não é só um ataque. É viver lendo isso o tempo inteiro”, disse a influenciadora. Dados da ANTRA, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, apontam que o Brasil segue entre os países com maiores índices de violência contra pessoas trans no mundo, cenário que também se reflete no ambiente digital.

Desde 2019, a homofobia e a transfobia passaram a ser enquadradas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) como crimes de racismo no Brasil. Mesmo assim, Suellen Carey afirmou que muitas pessoas ainda tratam os ataques virtuais como algo comum. “Muita gente usa a internet para falar coisas que jamais teria coragem de repetir pessoalmente. Quando milhares de pessoas repetem o mesmo ataque todos os dias, isso deixa de ser opinião e vira violência”, concluiu.

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