Lucélia Santos voltou à China na última semana para participar de compromissos ligados ao audiovisual brasileiro. A atriz integrou a delegação presente no Festival Internacional de Cinema de Xangai e no Mercado Internacional de Cinema e Televisão de Xangai, eventos que antecedem as celebrações do Ano da Cultura China-Brasil, previstas para 2026.
A visita também trouxe à tona lembranças de um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira. Durante entrevistas no país asiático, Lucélia Santos relembrou a homenagem recebida em 1985 após o enorme sucesso de Escrava Isaura (1976), novela que conquistou uma audiência histórica entre os telespectadores chineses.
Segundo a atriz, a dimensão da recepção foi difícil de compreender naquele momento. “Para ser honesta, fiquei chocada com tal reação. É algo que eu sabia que guardaria para o resto da vida, mas, em termos de toda a emoção, eu simplesmente não conseguia digerir na hora”, afirmou ao The Hollywood Reporter.
“Só quando estava em trânsito para fora de Hong Kong é que consegui parar para pensar sobre isso e deixar minhas emoções se acalmarem”, acrescentou. Exibida na China a partir de 1984, Escrava Isaura rapidamente se transformou em um fenômeno nacional. A trama ambientada no Brasil do século 19 alcançou números raramente vistos na televisão mundial e se tornou uma das produções estrangeiras mais populares da história do país.
O sucesso da novela foi tão expressivo que a produção chegou a reunir mais de 450 milhões de telespectadores por semana. No ano seguinte, a popularidade da protagonista resultou em uma homenagem inédita. Mais de 300 milhões de pessoas participaram de uma votação promovida pela televisão chinesa para reconhecer o trabalho da atriz. Na época, o Prêmio Águia de Ouro existia há apenas três edições e nunca havia concedido uma distinção a um artista estrangeiro.
Diante da repercussão alcançada por Lucélia Santos, os organizadores criaram uma categoria especial para homenageá-la. O reconhecimento reforçou o impacto internacional da novela, que foi exibida em aproximadamente 80 países. Para a atriz, a força da história está relacionada aos temas universais abordados pela trama.
“Acho que as pessoas conseguem reconhecer o contraste entre os oprimidos e os opressores”, afirmou. “Através da personagem principal e de suas experiências, as pessoas reconheceram o sofrimento entre aqueles que detêm o poder e aqueles que não o detêm, e acredito que isso teve grande repercussão no público do mundo todo”, concluiu.


