ALCANCE

Netflix explica por que adotou métricas do Ibope para medir campanhas no Brasil

Plataforma afirma que busca falar a mesma linguagem do mercado, facilitar comparações entre meios e ampliar a confiança de anunciantes e agências

Logotipo da Netflix exibido na tela de um celular com catálogo de filmes e séries desfocado ao fundo
Netflix ampliou parceria com o Ibope no mercado publicitário (foto: Reprodução/Internet)

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A Netflix reforçou sua estratégia para ampliar a presença no mercado publicitário brasileiro ao adotar metodologias já utilizadas por anunciantes e agências. A plataforma afirmou que busca alinhar a mensuração de campanhas aos padrões do setor, permitindo comparações entre diferentes meios. A iniciativa acompanha a expansão do plano com anúncios e o crescimento da disputa pela atenção do público.

Maior plataforma de streaming do mundo, com cerca de 282 milhões de assinantes, a Netflix também anunciou, em maio, uma parceria com a empresa australiana Amplified para medir os níveis de atenção dos usuários do plano com anúncios no Brasil. O objetivo é avaliar a efetividade das campanhas publicitárias e comparar os resultados com outras plataformas.

No ano passado, a empresa firmou um acordo com o Ibope para validar a audiência das campanhas publicitárias por meio do produto Campaign Audience Validation (CAV). A metodologia utiliza identificadores das campanhas para acompanhar o desempenho diário, permitindo ajustes nas estratégias e comparações entre diferentes plataformas. O sistema ainda integra dados da Meta e do Google.

Segundo a Netflix, a adoção de métricas já consolidadas reduz barreiras para anunciantes e facilita a análise dos resultados. “O que temos como ponto de partida é usar da maneira que o mercado está acostumado a olhar. No fim, é uma forma, como player que está chegando, ‘atrasado na festa’, de ocupar um espaço sem gerar mais um ponto de estranhamento. Temos tanta coisa para contar das nossas parcerias, dos IPs, e não precisamos colocar mais uma coisa na roda”, afirmou Will Zanette, líder de mensuração em publicidade da Netflix Brasil.

A Netflix também argumentou que anunciantes precisam de indicadores comparáveis para avaliar o retorno dos investimentos. “Os anunciantes e as agências, num ambiente de escassez de recursos, de margem apertada, de tirar o melhor de cada real investido, sentem que é muito difícil agregar essa coisa toda (…). Concordemos ou não, o Ibope é o currency da mídia brasileira. Seria muito mais difícil irmos contra isso”, declarou ao Meio e Mensagem.

Com base em dados do Ibope e da Winnin referentes ao ano passado, a plataforma afirma liderar o segmento de streaming premium, com 53% de share e alcance de 58% entre pessoas com mais de 18 anos. A empresa também informou que concentra 35% do engajamento total entre os serviços de streaming e 15% do engajamento registrado no Brasil, segundo levantamento da Winnin.

Ao comentar os desafios da medição de audiência, a Netflix destacou que o streaming reúne características da televisão e do ambiente digital. “Falamos de domicílio, que é uma métrica muito natural de TV, porque estamos na sala, na TV, há co-viewing (…). Ao mesmo tempo, quando vou falar de mídia, preciso reportar isso no nível mais micro possível, individual, que são os nossos perfis. É interessante porque nós acabamos ocupando esse espaço meio híbrido. Isso, para mensuração, é um pesadelo”, concluiu.

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