COMPORTAMENTO DO TORCEDOR

Maioria dos brasileiros assiste aos jogos da Copa do Mundo com o celular na mão, apontam pesquisas

Levantamentos da MiQ, do PicPay e da Data-Makers mostram que a segunda tela se tornou hábito dominante durante as transmissões do Mundial no Brasil

Foto de pessoa assistindo a um jogo da Copa do Mundo em seu celular
Torcedores costumam acompanhar a Copa do Mundo enquanto consultam o celular durante a transmissão (foto: Unsplash)

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O hábito de assistir ao futebol mudou nos últimos anos. Se antes a televisão concentrava toda a atenção durante uma partida, hoje ela divide espaço com o smartphone. Entre comentários nas redes sociais, buscas por estatísticas, vídeos, memes e outras interações em tempo real, o celular passou a fazer parte da experiência de acompanhar grandes competições esportivas.

Essa mudança de comportamento é especialmente visível durante a Copa do Mundo. Pesquisas realizadas por diferentes empresas mostram que a chamada “segunda tela” já se consolidou como um hábito entre os torcedores brasileiros, transformando a forma como o público consome as transmissões.

O que as pesquisas mostram sobre o hábito da segunda tela

Os números confirmam essa transformação. Segundo levantamento da MiQ, 76% dos torcedores acompanham as partidas utilizando uma segunda tela ao mesmo tempo. Já uma pesquisa do PicPay aponta que 77% pretendem assistir aos jogos em casa, mantendo o celular por perto para comentar lances, realizar compras ou navegar pelas redes sociais.

O estudo “O Brasileiro e a Copa”, produzido pela Data-Makers para a Resenha Digital Clube, mostra que 66% dos brasileiros permanecem conectados durante as partidas, enquanto 54% utilizam mais de uma tela simultaneamente. O levantamento também revela que 12% já acompanham os jogos exclusivamente pelo celular.

Os hábitos de consumo também acompanham o crescimento do streaming. Dados da Kantar indicam que 31% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos por plataformas digitais, enquanto uma pesquisa da Nexus mostra que 72% das pessoas das classes A, B e C já consomem vídeos por esse formato.

A mudança de comportamento também aparece na audiência. A estreia da Seleção Brasileira transmitida pela CazéTV registrou 12,7 milhões de dispositivos conectados simultaneamente no YouTube. Mais tarde, durante a fase de grupos, outro jogo do Brasil chegou a 18,3 milhões de aparelhos conectados ao mesmo tempo, consolidando o crescimento das transmissões digitais.

Quais aplicativos crescem durante as transmissões

A popularização da segunda tela também altera quais aplicativos ganham espaço durante grandes eventos esportivos. Levantamento da Adjust mostrou que, durante a Copa do Mundo de 2022, os downloads de aplicativos de notícias esportivas cresceram 56% na primeira semana do torneio, enquanto as sessões de uso aumentaram 28%. Os aplicativos de streaming registraram crescimento de 41% nas instalações no mesmo período.

O movimento não ficou restrito a essas categorias. Empresas de inteligência de mercado como Sensor Tower e Data.ai apontam que grandes competições esportivas também costumam impulsionar aplicativos relacionados ao universo do esporte, incluindo plataformas de apostas, acompanhando o aumento do engajamento dos torcedores durante os jogos.

Neste Mundial, esse comportamento ganha ainda mais força porque a própria transmissão migrou para a internet. A CazéTV detém a exclusividade digital dos 104 jogos da Copa do Mundo de 2026, exibidos gratuitamente no YouTube, e já bateu recordes de audiência simultânea no torneio, como os 12,7 milhões de dispositivos conectados ao mesmo tempo durante Brasil x Marrocos. Ao assistir pela internet, o torcedor tende a manter outros aplicativos abertos ao mesmo tempo, de redes sociais a apps esportivos.

Entre as marcas que patrocinam oficialmente as transmissões da Copa na CazéTV estão casas de apostas, e não por acaso o app da bet KTO promove a participação da empresa entre os patrocinadores do canal e promoções exclusivas.

O que isso representa para o mercado publicitário

O avanço do consumo por múltiplas telas também muda a estratégia de emissoras, plataformas digitais e anunciantes. A WARC Media projeta que a Copa do Mundo de 2026 deve movimentar cerca de US$ 10,5 bilhões em investimentos globais em mídia. No Brasil, o IAB aponta que a publicidade digital ultrapassou R$ 42 bilhões em 2025, impulsionada pelo crescimento do consumo de conteúdo em dispositivos móveis.

Para o mercado de mídia, a disputa pela atenção do torcedor já não acontece apenas na televisão. Entender como o público alterna entre diferentes telas durante uma partida tornou-se um dos principais desafios para produtores de conteúdo, plataformas digitais e marcas que buscam acompanhar a evolução dos hábitos de consumo do esporte. 

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