A Netflix estuda promover uma das maiores mudanças de sua história ao avaliar a criação de canais de TV ao vivo, a venda de pacotes com outros serviços de streaming e a ampliação da presença em transmissões esportivas. As iniciativas fazem parte de uma estratégia para aumentar o tempo de permanência dos assinantes na plataforma. As informações são do Wall Street Journal.
A discussão ganhou força depois que executivos identificaram uma queda no indicador de engajamento durante a revisão anual dos negócios da empresa. Apesar do crescimento dos lucros, da baixa taxa de cancelamento e do desempenho de séries como Bridgerton (2020) e Stranger Things (2016), o tempo de consumo dos usuários passou a preocupar a direção.
Entre as possibilidades analisadas pela Netflix está a criação de canais lineares dedicados a gêneros específicos ou produções populares, oferecendo uma experiência semelhante à da televisão tradicional dentro do próprio aplicativo. Outra proposta prevê que assinantes possam contratar serviços de streaming de terceiros diretamente pela plataforma.
As medidas representam uma mudança em relação ao modelo defendido durante anos pelo cofundador Reed Hastings, que priorizava um serviço focado apenas em conteúdo sob demanda. Atualmente, a companhia enfrenta concorrência de plataformas como Disney+, HBO Max, YouTube e serviços gratuitos financiados por publicidade.
Embora permaneça líder entre os serviços de streaming por assinatura, a Netflix acumula queda superior a 40% no valor de suas ações nos últimos 12 meses. Em abril, segundo a Nielsen, a empresa registrou sua menor participação na audiência da televisão dos Estados Unidos desde maio de 2025, aumentando as preocupações de investidores sobre o potencial de crescimento no mercado americano.
Outra prioridade é a expansão do negócio de publicidade. A empresa considera que transmissões ao vivo dificultam que espectadores ignorem os intervalos comerciais, aumentando o valor desse mercado. Em 2025, a divisão publicitária gerou cerca de US$ 1,5 bilhão em receita, e a expectativa é dobrar esse resultado em 2026.
A companhia também analisa ampliar a presença em eventos esportivos. Depois de testar transmissões ao vivo, executivos discutem possíveis propostas pelos direitos das Copas do Mundo de 2030 e 2034. Os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters já afirmaram que a empresa não pretende disputar contratos de temporadas completas de ligas esportivas, mas avalia investir em competições consideradas estratégicas para atrair novos assinantes.


