Mariana Becker relembrou os desafios que enfrentou ao se tornar uma das primeiras mulheres a ocupar o posto de principal repórter da Fórmula 1 na televisão brasileira. A jornalista afirmou que precisou conquistar espaço em um ambiente dominado por homens e destacou como a cobertura da categoria se transformou nas últimas décadas.
Antes de chegar à Fórmula 1, Mariana Becker já tinha experiência no automobilismo. Ela participou do Rally dos Sertões como navegadora em 2000 e como piloto nas edições de 2002 e 2003. Em 2007, passou a integrar a cobertura da principal categoria do automobilismo pela Globo.
A jornalista afirmou que precisou conquistar a confiança de pilotos, equipes, colegas de profissão e do próprio público para desempenhar seu trabalho. “Naquela época era um esporte feito por homens, contado por homens, majoritariamente para homens. Era um espaço que eu tive que conquistar, porque a televisão brasileira ainda não tinha tido uma mulher como o principal repórter da Fórmula 1 na TV”, contou.
“Eu tive que fazer com que os meus entrevistados se acostumassem comigo, com os que os meus colegas se acostumassem comigo e com que o público também se acostumasse comigo”, declarou. Segundo Mariana Becker, situações de preconceito eram frequentes no início de sua cobertura. Ela lembrou que comentários machistas eram feitos até mesmo diante dos microfones. “São vários momentos que vão se repetindo e se repetindo e se repetindo, e que você tem que ter muita resiliência para diminuir a importância deles”, detalhou em conversa com o Meio & Mensagem.
“Com o tempo você começa a saber nivelar a importância daqueles obstáculos e ao longo dos anos eles acabam ficando cada vez menores. Até eu aprender a lidar com isso e ter a resiliência suficiente para continuar fazendo o que eu estava fazendo”, afirmou.
Para a jornalista, a presença de mais mulheres na cobertura esportiva tornou o ambiente mais acolhedor e contribuiu para transformar a maneira de contar histórias. “A forma de contar da mulher leva em consideração que tem outras mulheres como elas chegando e que precisam, talvez, de uma explicação um pouco mais claras”, disse.
Mariana Becker também atribuiu parte da renovação do público da Fórmula 1 à expansão do conteúdo digital, às redes sociais e ao lançamento da série Drive to Survive, da Netflix. Segundo ela, a modalidade passou a alcançar diferentes gerações e perfis de espectadores. “Hoje a Fórmula 1 tem uma transmissão digital. Você vê as pessoas se informando através de diversas mídias. Os torcedores vão desde mulheres, jovens, pessoal dos 40 para cima, está tudo muito mais diversificado, o que é ótimo, e isso graças a uma porção de acontecimentos no mundo digital”, afirmou.


