NOVELA DAS NOVE

Dan Stulbach revela por que evitou fazer um vilão caricato em Quem Ama Cuida

Ator detalhou a construção de Ademir, advogado que integra o núcleo central da trama de Walcyr Carrasco

Ademir encara o tribunal com expressão séria em cena da novela Quem Ama Cuida
Dan Stulbach voltou às novelas após quatro anos de ausência (foto: Reprodução/Internet)

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Dan Stulbach voltou ao horário nobre da Globo após quatro anos longe das novelas. Em Quem Ama Cuida, o ator interpreta Ademir, advogado responsável pela condenação de Adriana, personagem de Leticia Colin, e defensor da família Brandão. Casado com Dora, vivida por Mariana Ximenes, o personagem também enfrenta conflitos com o filho Pedro, interpretado por Chay Suede.

Ao falar sobre o papel, Dan Stulbach afirmou que procurou construir um personagem distante dos estereótipos normalmente associados aos vilões das novelas. “Ademir é um cara muito correto aos olhos dos outros e sabe lidar com as dificuldades e as artimanhas da vida. Ele conhece os atalhos legais e ilegais e consegue o que quer, ou seja, é um sobrevivente nessa estrutura do sistema político-jurídico brasileiro. Infelizmente, é um personagem comum”, afirmou.

Segundo o ator, a intenção foi mostrar que Ademir não se enxerga como alguém culpado pelas próprias atitudes. Para isso, o personagem também demonstra afeto e fragilidade ao longo da história. “Não queria que ele fosse um vilão caricato nas suas intenções. Ademir se torna um vilão a partir das suas ações, mas não é um cara só mau. Ele tem gente que ama, como o filho e a esposa. Ele se emociona, chora, erra e também sabe ser terrível e implacável quando precisa”, contou.

“A minha intenção é construir uma pessoa com erros, defeitos, ambígua e contraditória. Repito o tempo inteiro para a direção: ‘O Ademir não se considera culpado’”, declarou. O ator também destacou a parceria em cena com Mariana Ximenes e Chay Suede. Segundo ele, a troca entre o elenco ajuda a tornar as sequências mais naturais e imprevisíveis.

“Chamo nossas cenas de jazz. Chay me interrompe, e eu o interrompo. Vamos construindo juntos, mudando um pouquinho aqui e ali. No começo, as cenas com a Mariana eram mais de um casal feliz, mas essa felicidade muda ao longo da novela. Agora, temos sequências mais fortes. O bom é que eu saio revitalizado de um dia em que joguei com outra pessoa. Outro dia, em uma briga no portão, a Mari me jogou um copo de água na roupa inteira, sem me avisar, porque rolou na hora. Quando estou dentro desse jogo, é o máximo”, contou.

Além do trabalho na novela, Dan Stulbach comentou a relação com as redes sociais e explicou que prefere preservar a vida pessoal para facilitar sua identificação com os personagens. “Esta relação com a rede social sempre foi um pouco conflituosa para mim. Por um lado, é um canal de comunicação maravilhoso, mas, por outro, é preciso mostrar a cara e falar quem você é. Acho contraditório com a minha profissão, pois gosto de sumir no personagem. Hoje, um dos grandes desafios dos artistas é conseguir se dissolver na imagem pública”, afirmou.

Casado com a jornalista e documentarista Heloisa Becker, o ator também disse que sempre buscou proteger a família da exposição pública. “Um dos medos que tive e que tenho é o de perder o meu mundo pequeno, privado, das pessoas que gosto, da minha família e dos meus amigos de sempre. Sempre preservei essa parte da minha vida muito bem, como um refúgio mesmo: um lugar que me lembre sempre quem eu sou. A questão de me tornar uma celebridade nunca me cativou”, declarou para O Globo.

Dan Stulbach relembrou Marcos, antagonista de Mulheres Apaixonadas (2003), personagem que continua sendo lembrado pelo público. “Os memes de raquete ainda têm milhões, né? Agora, até figurinha de raquete recebo nos grupos de WhatsApp. Ainda não uso, ainda. Porém, agora, o peso fica mais intenso. Tenho uma relação muito alegre e positiva com o reconhecimento de ter feito um personagem que todo mundo lembra, que está na história da televisão”, concluiu.

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