Com divulgação confusa, Filhas de Eva estreia no Globoplay

O trio de protagonistas de Filhas de Eva, uma das maiores apostas do Globoplay para 2021 (foto: Estevam Avellar/TV Globo)
O trio de protagonistas de Filhas de Eva, uma das maiores apostas do Globoplay para 2021 (foto: Estevam Avellar/TV Globo)

Filhas de Eva é a nova série do Globoplay: a primeira produção original da plataforma em 2021 foi disponibilizada para os assinantes da plataforma de streaming no dia 8 deste mês. O seriado conta com 12 episódios e tem um elenco de peso, com nomes como Renata Sorrah e Giovanna Antonelli, e é dirigida por Leonardo Nogueira, marido de Antonelli.

A premissa da série é simples: três mulheres que estão presas a padrões que não as fazem felizes e decidem mudar suas trajetórias. Todas as tramas se conectam nas bodas de ouro de Stella (Sorrah) que, ao ver as suas fotos antigas, se sente infeliz e pede o divórcio na hora. No mesmo evento, somos apresentados a Livia (Antonelli), filha de Stella, uma psicóloga que finge ter um relacionamento feliz e saudável baseado no casamento da mãe. Tudo em sua vida começa a cair no momento que sua mãe pede o divórcio.

E por fora, temos Cléo (Vanessa Giácomo), uma jovem pobre tentando sobreviver, procurando empregos, que vê a chance quando sua vizinha boleira morre sem que o bolo do evento esteja finalizado. Sabendo o valor que seria pago, ela se cruza com os outros personagens. Neste meio, há ainda as tramas dos maridos de Stella e Livia, além de uma história misteriosa envolvendo o irmão de Cléo.

Assim como grande parcela das séries brasileiras, o texto cai num maniqueísmo comum em novelas. Para conquistaram independência, a protagonistas precisam enfrentar figuras masculinas que se configuram como vilões. Não é uma tentativa aqui de um homem, eu, tentar ensinar a criadora como escrever a trama, mas em diversos pontos observa-se um embate do bem versus o mal.

Um dos grandes problemas da série nem esteja nela em si, e sim em sua divulgação. A série foi divulgada na CCXP de 2019 junto com Desalma e As Five. Mas, diferente das duas primeiras, não era divulgada nenhuma notícia sobre a produção. Apenas semanas antes da divulgação que começaram a sair informações da produção já com a data de lançamento informada. O esquema é tão estranho que apenas no domingo Filhas de Eva foi citado na televisão.

A direção consegue ser muito boa e bem “cinematográfica”. Assisti aos dois primeiros episódios e é um trabalho bem promissor, com uma liberdade artística maior do que visto em novelas. Comparado a novela O Tempo Não Para, última produção do diretor, a série parece uma produção hollywoodiana.

E não foi algo de agradar os olhos apenas no primeiro episódio, o nível ainda se mantém. Enquanto na direção a série é um primor, a trilha sonora derrapa com um uso exagerado de músicas internacionais… em uma série que se passa em pleno Rio de Janeiro, a capital mundial do funk. Acontece, né?

Mateus Ribeiro é engenheiro por formação, e nas horas vagas se diverte maratonando séries e assistindo programas de origem duvidosa da televisão brasileira. No TV Pop, escreve semanalmente sobre as séries produzidas pela indústria norte-americana. Converse com ele pelo Twitter @omateusribeiro. Leia aqui o histórico do colunista no site.

 

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