O início promissor da carreira de Olivia Rodrigo cria precedentes importantes para artistas juvenis

Olivia Rodrigo posa para fotógrafos no lançamento da série de High School Musical (foto: Divulgação/Disney)
Olivia Rodrigo posa para fotógrafos no lançamento da série de High School Musical (foto: Divulgação/Disney)
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Há alguns meses, é bem provável que a maior parte das pessoas não soubesse quem era Olivia Rodrigo. Não me julguem, eu também não sabia. A biografia da moça é bem comum à de vários outros atores que passaram pelos estúdios Disney, trabalhando em séries, filmes e especiais, entre outros. A julgar por isso, é bem natural considerar uma carreira musical, afinal é a expertise de canais juvenis americanos investir em multiartistas, principalmente se isso lhe render ainda mais dinheiro.

Olivia é mais um exemplo de multiartista, ganhando maior atenção por sua atuação na série “High School Musical: The Musical: The Series”, mais uma sacada da Disney para explorar o universo da saga musical assim como expandir o alcance de seu casting de atores e cantores. Mas tudo isso é feito de forma tão milimétrica que parece ter limitado os mais recentes “Disney-stars”, mesmo que eles tivessem uma grande exposição em plataformas mundiais ou não se envolvessem em grandes escândalos.

Talvez esse seja o primeiro ponto a se ressaltar sobre a estreia de Olivia. Para começar, ela lançou seu material solo pela Geffen Records, subsidiária da afamada Interscope. Grande parte dos ex-artistas da Disney tiveram uma boa fase com músicas e álbuns lançados pela Hollywood Records, que faz parte do conglomerado de mídia simbolizado pelo Mickey Mouse.

Ao mesmo tempo que a Disney gerou inúmeros talentos e os proporcionou uma carreira musical, o gerenciamento desses artistas os colocava em um pedestal para servir de exemplo para crianças e adolescentes ao redor do mundo e havia diversos limites que não podiam ser ultrapassados.

Enquanto isso, alguns outros artistas costuravam contratos com outras gravadoras, caso de Ashley Tisdale. A artista teve um dos maiores papéis da franquia que inspira a série protagonizada por Olivia Rodrigo, mas preferiu assinar contrato com a Warner. Isso lhe deu maior liberdade artística, tanto que seu primeiro trabalho solo já tinha uma certa maturidade se comparado ao trabalho de outras estrelas da Disney.

Mas ao mesmo tempo, nenhum os singles lançados pela intérprete de Sharpay teve um grande alcance comercial, talvez porque o público esperasse algo mais ligado ao que a personagem cantaria ou pela artista realmente saber conciliar muito bem sua carreira de atriz com a de cantora, sem interferência de uma em outra.

O fato é que, de certa forma, os primeiros passos de Olivia na indústria musical demonstram uma certa independência de seu trabalho como atriz em produtos Disney, além de não criar uma expectativa diferente do público que a acompanhava como atriz nesses produtos.

O precedente criado aqui é o de que é possível ter uma carreira livre, criada por suas próprias mãos ao escrever suas próprias canções, independente de seu alcance ter sido limitado. As plataformas disponíveis hoje para a promoção de uma música, tornam o modelo Disney muito mais que obsoleto, mas totalmente equivocado.

Se a preocupação da Disney sempre foi criar limites para que suas estrelas não assustassem o público infanto-juvenil ou não se tornassem maiores que a rede do Mickey Mouse, os esforços podem ter sido em vão. O primeiro single de Rodrigo é um dos maiores hits de 2021 (se não o maior) e tem uma sensibilidade na composição que casa de forma incrível com a produção singela e esperta, assim como se uníssemos as duas maiores inspirações dela em uma mesma música, Taylor Swift e Lorde.

Essas inspirações são exemplos-chave de viradas importantes na história da música recente e já demonstram o impacto que causam numa geração que está nascendo. Uma geração que vai fazer da música uma ferramenta de novas possibilidades, para que novas portas possam ser abertas.

Gabriel Bueno é publicitário de formação, atua no mercado desde 2013 nas áreas de criação, mídia e produção. Viciado em acompanhar música, sempre disposto a comentar premiações, álbuns, videoclipes e tudo que envolve o meio musical. É o autor da coluna Decifrando, publicada no TV Pop. Siga o colunista no Twitter: @GabrielGBueno_. Leia aqui o histórico do colunista no site.

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