reportagem de Jamile Moreira Gomes
Por décadas, a aviação foi sinônimo de altos custos operacionais — e o consumo de combustível sempre figurou entre os principais vilões. Em um setor em que cada litro economizado pode significar cifras milionárias no fim do ano, iniciativas de eficiência deixam de ser apenas boas práticas para se tornarem questão de sobrevivência econômica. Foi exatamente nesse terreno que o comandante Lucemir Aparecido Eves, veterano com mais de 33 anos de carreira internacional, consolidou sua contribuição técnica: mostrar que a experiência e a inovação podem andar lado a lado quando o assunto é performance operacional.
O especialista por trás da inovação
Aos 54 anos, Lucemir acumula mais de 14 mil horas de voo, das quais mais de 11 mil como comandante. Ao longo de sua trajetória, atuou em países tão distintos quanto Noruega, Kuwait, Estados Unidos, Angola, Nigéria e Brasil. Em cada um desses cenários, trouxe não apenas a disciplina do cockpit, mas também uma visão de gestão estratégica, fruto de sua formação em compliance, administração e economia.
“O piloto de hoje não pode se limitar ao manche. Ele precisa entender o impacto de cada decisão operacional nos custos da companhia”, afirma Lucemir.
Sua experiência como DFO (Diretor de Operações de Voo) em Angola e como Chief Compliance Officer na Nigéria o colocou em posição privilegiada para aliar segurança, eficiência e resultados financeiros.
O desafio africano: voar entre Angola e Congo
Foi durante sua atuação em Angola e no Congo que Lucemir liderou um estudo minucioso sobre conservação de combustível em rotas regionais, identificando gargalos e propondo práticas que resultaram em milhões em economia para as companhias.
Nessas operações, o combustível representava até 40% do custo total dos voos. Qualquer variação — seja na meteorologia adversa, na infraestrutura aeroportuária precária ou no planejamento de rota — tinha impacto direto no caixa das empresas.
Lucemir percebeu que havia espaço para otimização em três frentes principais:
- Planejamento de rota com base em inteligência climática: utilizar dados meteorológicos para reduzir desvios desnecessários.
- Procedimentos de taxiamento inteligente: aplicação de “single engine taxi” em solo, reduzindo consumo sem comprometer a segurança.
- Padronização de pousos e decolagens: instruir tripulações para práticas que combinassem menor potência com eficiência energética.
“Não se trata apenas de voar, mas de voar com propósito. Um minuto a menos no ar pode representar centenas de litros poupados ao longo de um mês de operações”, explica.
Os resultados em números
Embora cada companhia aérea guarde seus relatórios internos, a estimativa é que as práticas lideradas por Lucemir tenham reduzido o consumo de combustível em até 12% em determinadas rotas. Traduzido em cifras, isso representa milhões de dólares economizados anualmente.
Além disso, os ganhos não se restringem ao caixa: menor consumo implica redução significativa na emissão de carbono, um diferencial competitivo no setor em que pressões regulatórias e compromissos ambientais crescem a cada ano.
Da cabine à sala de reuniões
O diferencial de Lucemir está justamente em transitar com fluidez entre a aviação operacional e a gestão corporativa. Seu histórico como instrutor de simulador, avaliador de tripulações e gestor de operações lhe deu autoridade para convencer tanto pilotos quanto executivos de que eficiência não é inimiga da segurança.
Em um setor historicamente resistente a mudanças, a credibilidade do especialista foi peça-chave. “Um comandante precisa liderar pelo exemplo. Quando você demonstra que é possível economizar combustível sem abrir mão da segurança, a tripulação segue com confiança”, diz.
Implicações para o futuro do setor
O estudo de Lucemir abre caminho para um debate crucial na aviação: como conciliar lucratividade, segurança e sustentabilidade. Em um cenário de alta nos preços do combustível e pressão por metas ambientais, a lição é clara: inovação não precisa vir apenas de novas aeronaves ou tecnologias disruptivas, mas também de processos e da inteligência de quem está no comando.
A expertise adquirida em Angola e no Congo mostra que soluções desenvolvidas em mercados desafiadores podem inspirar práticas em escala global. O know-how de pilotos veteranos, aliados à análise de dados e à mentalidade de compliance, pode redefinir o modo como empresas aéreas encaram sua eficiência.
O que podemos experar…
Assim, o exemplo de Lucemir Eves como agente de transformação dentro da aviação deve ser visto como fonte de grante inspiração aos jovens profissionais da aviação. Ao unir sua bagagem de mais de três décadas com visão estratégica e foco em resultados, mostrou que menos combustível pode significar mais lucro — e mais responsabilidade ambiental.
Em tempos em que cada gota de querosene de aviação é contabilizada, a lição deixada por ele deve ser ouvida com atenção: a inovação está nas mãos de quem sabe olhar além dos instrumentos de voo e enxerga o horizonte de forma ampla, estratégica e sustentável.
